terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Textos de Marlene Xavier Nobre: autora do livro A Meus Queridos Netos.



Minha foto
Crédito foto Marlene Nobre
Crédito foto Marlene Nobre







Marlene Xavier Nobre é autora do livro A Meus Queridos Netos  e do blog http://nobresenobres.blogspot.com.br/ 
Crédito foto: Edna Domenica Merola


Meu lindo menino

Você apareceu de mansinho
Bem devagarinho
O céu estava calmo sereno e límpido
O mundo recebia meu menino
Envolto de amor e carinho
Num dia iluminado de paz luz e harmonia
O sol sorria de alegria
Pássaros felizes entoavam em coro uma linda melodia
Saudando a tua vinda para a vida
Raul, o teu nome contagia
É pura emoção e alegria.

És a força do amor
És belo, és terno, és o sorriso mais bonito de um menino,
és cativante
Tens o olhar penetrante.

És um anjo
Em ti tudo há encantamento:
teu balbuciar teu engatinhar.
De descoberta de um novo mundo latente (e que seja permanente!)
Esperançoso por um horizonte.
Sinto-me estonteante, quando em meus braços te recobri e te acolhi
Até o rasgar dos teus dentes acompanhei tuas mamadas
As tuas papas e os teus banhos.

Meu pequerrucho, a tua chegada foi bem vinda às nossas vidas
És o fruto de um amor puro e verdadeiro
Que celebra essa linda criança
Tu és a esperança, és a luz que brilha a cada dia
És o sol que faltava dentro da minha história
E que seja a mais bela, meu lindo, belo e querido menino chamado Raul.



A fé que nos move, que nos fortalece,
Que nos orienta, que nos dá um norte,
Que nos renova, que nos faz crescer,
A fé que está latente e presente dentro de mim, do meu ser, do meu Eu.
A fé é a força maior independente de crenças e de religiões.
A fé que nos faz acreditar num ser maior: num anjo, num santo, num mentor
A fé que nos faz dividir tudo o que temos de melhor:
Nas nossas orações emanamos amor
A fé nos deixa mais sensíveis e humanizados
A fé que nos faz ser mais devotos
A fé que nos faz crer numa força maior
E que nos transporta pra qualquer lugar
Só a fé nos fará suportar nossas provas tão árduas
A fé não se mede, não se enxerga
A fé é sentida, é ouvida
A fé é a força iluminada seja por um anjo, um mentor, amigo que alivia a nossa dor
Não importa qual seja a sua crença
A fé nunca nos abandona. Está presente nos momentos que estamos mais fragilizados e sofridos
Que nunca nos falte esta fé ardente que nos faz acreditar que não estamos sós
Esta força imensurável que nos faz vencer todas as barreiras e tempestades
Ela nos faz crescer, acreditar
E vencer.
A fé que temos bastante
A fé que todos nós temos (basta querer):
– Orar, ajoelhar, entrelaçar as mãos e pedir.
Esta fé que está em mim e que não deixo sair

que nunca falte para seguir em frente. 


Homenagem ao dia da Trabalhadora e à fisioterapeuta Morgana


Morgana,
Teu nome tem cor
Soa como beija-flor
é receptáculo de amor.

Ės a paz que acalma e conforta
Àquele que pede ajuda dá o colo

Teus olhos remetem esperanças
Não há dúvidas
Ės a luz que guia os dias
Teu olhar revela carinho vindo da alma
Que é bonita igual a menina que brilha e brinca
És serena, és calma, és carinhosa
Uma joia cara e rara.

Tuas mãos são precisas e certas, são sagradas, abençoadas, são o acalanto
E o alento para uma dor em pranto
És um ser sensível. Conheces cada alma sofrida
És especial, abençoada
Por todo aquele que te espera nesta caminhada.
Teu sorriso bem dado, teu cartão
Da porta de entrada, simpatia que irradia
Que invade a alma. Que nos acalma.

És a flor que amor exala

És a fisioterapeuta mais afável do planeta. 


Um pouco do amor 

Quem ama sabe estender as mãos 
Quem ama é mais sensível e mais  receptivo
Quem ama não sente inveja,  nem  caçoa  
Quem ama não tem vergonha,  nem se enfadonha 
Quem ama tem esperanças e acredita num novo amanhecer 
Quem ama não ludibria, não é covarde 
Quem ama divide e soma,  e perdoa 
Quem ama não faz cara feia, não é egoísta, não derruba 
Quem ama não é vacilão, nem vacila 
Quem ama não é mesquinha, não apavora, nem  rouba a cena 
Quem ama  não faz cobranças.  Quem ama planta 
Quem ama não se cansa,  se doa 
Quem ama  não escolhe,  nem se recolhe 
Quem ama é mais feliz, sabe sorrir 
Quem ama é persistente, é conveniente 
Quem ama não torce o nariz,  nem tem vergonha 
Quem ama é convincente,  é mais contente 
Quem ama é mais feliz, perdoa e ama 
Quem ama é capaz de enxergar, mesmo no escuro 
Quem ama  não se abala nem com fofocas 
Quem ama tem um coração cheio  de amor  
Quem ama sabe tudo do amor e não se engana 
Quem ama  sabe o valor da vida que é tão bonita 
E que tem que ser vivida por todas as vidas 
Quem ama  não se esquece,  se cuida...
E ama  o próximo como a si mesmo: esta é a máxima. 

Enxerguei um irmão 

Na dor, enxerguei o amor 
Não me esqueci de um irmão 
Nos caminhos ficaram as pegadas 
Encontrei-me com pedras (e foram tantas!)
Foi através delas que subi nas escadas
E não desisti da vida, mesmo cansada 
Fortaleci-me. Cresci. Aprendi a me conhecer
E reconhecer todas as minhas imperfeições.
Conheci cada irmão de jornada. Senti cada um. Não feri.
Preferi me calar. Não apontei o dedo, mesmo nas horas mais difíceis 
Se não consegui ajudá-los, tentei dar o melhor em cada situação vivida e sofrida 
Assim preferi  e, sem  olvidar do escuro, fiz o melhor em meu melhor caminho
Pois gosto de desafios  e de desafiar quem é contrário ao bem 
Aprendi com os erros. Não me escondi. Dei a cara a tapa, pois adoro a justiça 
Nem que seja a divina (esta é a mais certa e correta) 
Vivi cada dia, um após o outro.
Sou paciente, pois a vida é feita de muitas belezas 
Mas existem mil bagatelas 
melhor dar abraços que dar tapas nos ombros se fazendo de lobos 
amigos encontrei, mas conto nos dedos e amigo mesmo é aquele que se faz presente mesmo distantes e mesmo  de longe nos conforta com preces

Não quero deboche. Não sou fantoche, pois levarei até o fim dos meus dias tudo que plantei e com o coração cheio de amor aprendi a enxergar cada irmão mesmo o de sangue que me pediu a mão (esta  foi a minha melhor doação) 
Me sinto mais leve, com o dever cumprido, a alma sorrindo 
Almejo um mundo com muito amor: mais abraços e que sejam sinceros 
E que seja breve, pois o amor que espalhei que doei me faz um ser mais feliz e inteligente 
É tudo de melhor que faço.
Não me gabo (é fato) 
Pois quem ama sabe como ninguém o valor e o calor do abraço 
Os caminhos são muitos que não nos esquecemos dos irmãos, nem dos amigos na hora mais  importante  das nossas súplicas 


Pois quem ama sente e ouve as suas dores.



Julgamento 

Marlene Xavier Nobre
                                               (eleitora, mãe, dona de casa, brasileira que  quer um país de iguais e cujo mote é: “Chega de desiguais e de corrupção!”)

Seu  juiz com todo o meu respeito 
Também quero respeito, mas, por favor, me faça ser ouvido 
Assim exijo, pois tenho direito. Qual foi o meu pecado? 
Se  não matei e nem estudei... 
Será que este foi o meu erro?  Vim descalço do Nordeste,  de uma terra de gente sofrida e humilde,  mas boa e valente  
Passei fome, senti frio. Não fiquei na estrada 
Não sou de ferro. Sou valente. Não desisti. Sou cabra da peste 
Se a minha sina é pagar  por algo que não fiz, deixe-me lutar 
Mesmo não sendo um diplomado  (não cursei nenhuma faculdade por  falta de dinheiro e por ser  mais um pobre) 
Ah! Mas de gente eu entendo (e muito!) 
Trabalhei noite e dia e paguei com o suor do meu rosto 
Perdi a pessoa que mais me entendia e me amava.  Foram muitas lutas durante anos, pois sabia o que queria  (para surpresa de muitos!) 

Cheguei no topo, me tornei presidente da república 
Fui o presidente mais votado do país pelo voto do povo 
Não trabalhei tanto para ganhar esta fama que não mereço 
Só a nata que não sabe o que é passar fome é que me difama 
No caminho encontrei muitos papagaios que me fizeram uma grande emboscada:  uma verdadeira papagaiada ( pra não chamar de oportunistas e traidores!) 
Me sinto solto mas com as mãos atadas sem poder fazer nada 
Seu juiz , por favor, me deixe soltar o verbo 
Só quero explicar o explicável (não se faça de bobo) 
Sabe, não cometi erros 
Sabe, se pequei me perdoa sabia tudo o que fazia 
Fiz muitos projetos sociais tirei um povo sofrido da miséria  mesmo não  tendo uma  universidade 
Não foi  por falta de um canudo nas mãos que deixei de cuidar  do meu país  e deixei todos muito bem
O que está acontecendo comigo  é mais do que perseguição 
Seu juiz, irei lutar até meus últimos  dias  de vida.
Não sou bandido e tenho um nome a zelar
E família
E um povo que precisa ser cuidado 
Que precisa de saúde, educação, moradia,  segurança
Por favor me ouça 
Ajudei o país  a sair da obscuridade
Tenho forças e acredito na minha  inocência
E que serei absolvido desta palhaçada, deste golpe que criou o caos 
Assim como está não dá.  O povo está a definhar 

E todos com a corda do pescoço  estão pintando e bordando.



Lágrimas  são como pérolas que transformam as dores em bênçãos 
Lágrimas  que  lava a alma é um acalento é como  um rosário 
Sagrado que toca o coração do aflito daquele  que chora 
Lágrima de sangue é profunda: cura toda ferida (mesmo que seja fétida) 
Lágrima  de amor ou de saudade (esta ninguém segura!) é forte,  é  doída, é sofrida, fere qualquer  semelhante 
A lágrima de  Nossa Senhora  nos compadece
é  mais que uma prece
é alento  que revigora qualquer criatura perdida 
tem poder e força.

A lágrima é o encontro entre a criatura e o criador 
Só Ele nos entende, nos compreende, nos dá colo, nos conforta. 

Jesus não chorou, mas amou, perdoou aquele que lhe apedrejou
Fez das suas lágrimas  um coração cheio de amor 
Lágrimas são pétalas caídas das mãos do Nosso Senhor 
Lágrimas... Quem nunca chorou de dor  ou por amor? 
Jesus segurou e suportou cada  lágrima rolada 
que caía  do rosto de cada irmão nas suas mãos abençoadas (no seu momento crucial) 
Maria engolia  todas  as suas lágrimas: acreditou na força do seu filho salvador – o maior  da pátria verdadeira
O maior exemplo de fé e de amor.

(Lágrimas também são flores que nos enchem de  esperanças por dias bem melhores).


CARÊNCIA
Marlene Xavier Nobre

Acordei. Não estava com a corda toda. 
Do outro lado da linha, recebia uma mensagem 
Que dizia:
– Por favor, me ajuda! 
Parei, pensei  e não revidei. Dei ouvidos. 
Falava- me que estava muito carente. Outra vez parei e pensei: 
– Será que estou entendendo a mensagem? Como pode? 
Se nascemos para sermos felizes, como ninguém nos entende? 
Também sou gente. Mas e daí? Cada um  com o seu  umbigo. 

Nesse instante uma briga interna: 
– Será que a vida nos exige tal correria que parece estarmos numa escadaria? No vai e vem do sobe e desce sem nos permitir que nos enxerguemos?
O espelho (mesmo quebrado) irá  dar a nossa imagem 
Ou (quem sabe) nos mostrar mais belas, pois a beleza  nos esconde. 
Vivemos tão deprimidas, sempre à procura de algo que nos dê um norte. 
Esqueço-me sempre de mim, mas tenho carro, conta bancária, dentes cuidados, vestes  sempre intactas, tenho família (pode não ser a mais perfeita)... Ah! O que preciso mesmo para não chegar à loucura, à porta aberta para aquela depressão malvada?

É  tão pouco o que preciso: receber mais carinhos, colo, uma boa conversa fiada (pode ser até com a vizinha aquela que me olha da cerca ou do outro lado da rua) já que o meu companheiro não me cuida nem liga não olha que estou precisada de atenção ou de um afago talvez  não tira a  mão do bolso,  não descruza os braços, parece estar amarrado ou com má vontade. Somos igual a uma ilha, mas ninguém se entende. Somos gente, mas estamos sós com as nossas dores. Faltam mais amores, mãos dadas, abraços apertados. E verdade. (Parece que somos fantoches cheios de dedos, mas tão distantes do Eu). 
Parece que querem a minha morte precoce. Ninguém me entende... 
Ouça-me, sinta-me.
Sou forte, mas estou carente.
– Por favor, me oriente! 
Preciso de um companheiro ou quem sabe um amigo, não precisa ser marido.
Eu tenho um trabalho e ajudo.
– Por favor, me ajude. Estou carente!
Olhe-me mais. Não demore. (só não pode ter sexo. Estou desacostumada.). 
Mas não estou pedindo muito, só estou querendo um colo.



SER sensível é saber, conhecer
É sentir cada alma
É saber definir a dor que nela reclama
É saber amar, abdicar.
É deixar os desejos e fascínio
Da carne. É saber amar, se doar mais ao outro do que a si mesmo
É saber sentir o sabor, o aroma do mel,
O amargor do fel, o perfume da flor,
O doce beijo do amor

Ser sensível é saber ouvir o amanhecer, o cantar dos pássaros
O olhar da criança, o pingo da chuva,
A luz da lua, o brilho do dia, as cores do arco Íris,
O sorriso do menino.

Ser sensível é sentir o cheiro da terra, a gota do orvalho
É saber sentir, na pele, a dor do flagelo
É saber sentir, na carne, como um atalho em retalho
Um coração em frangalho que pede socorro

Ser sensível é saber mesmo ser HUMANO.


São Sebastião do Rio de Janeiro

Depois de alguns anos de longa espera, cheguei naquela cidade. Era um grande sonho que se transformava em realidade. Acompanhada de meus filhos,  na cidade maravilhosa, fiz algo que me marcará eternamente. Era um sábado, dia 20 de janeiro de dois mil e dezoito. Eram exatamente quatro horas da tarde quando saiu da igreja antiga para a catedral a tão esperada procissão  do santo padroeiro daquela bela cidade. A imagem do santo milagreiro era carregada no meio de uma multidão que parecia um mar! 

Neste instante passava um filme na minha mente. Voltava o meu passado, quando ainda carregava no ventre meu filho querido e amado chamado Sebastião um nome que lhe carrega pra vida toda e com muita devoção fé e orgulho.

Jamais vi tanta força um povo forte guerreiro sentia de cada pessoa uma energia tão boa que me envolvia uma alegria me tomava. 

Em cada rua que passava, via nas janelas  uma faixa de cor vermelha e muitas pessoas nas sacadas de seus apartamentos jogando flores um encanto uma beleza que se espalhava no meio da multidão. Via muito respeito.  Tinha gente de todas as idades, muitos idosos,  muita devoção. 

Todos entoavam juntos. Era um potente coral de vozes de todos os timbres que  rezava o Pai Nosso como se estivesse clamando a paz do universo. Era de arrepiar.

De longe avistava meu filho, estava com uma camisa encarnada. O suor escorria em seu rosto, mas não se afastou um minuto sequer do lado daquele andor com a imagem do seu santo protetor. não me cansava de agradecer (e bem de perto!) o milagre recebido da promessa que seu pai fizera quando ainda eu o carregava no meu ventre.

O sol estava escaldante  nesse dia. O asfalto fervia, mas ninguém desistia. Ali tinha gente de muitos lugares de outras cidades e nós ali também meus  pés ardiam mais minha alegria era tamanha que fiquei até o fim desta longa e abençoada caminhada. Na igreja, parecia estar sendo abraçada  por uma energia tão boa que me envolvia. Não me contive e chorei.

Meu filho estava tão feliz e realizado que seus olhos brilhavam.  Uma mistura o envolvia, pois  um sonho de anos se realizava: o de  ter ido à catedral do Rio de Janeiro o Santo Guerreiro Padroeiro. 

Mas o que mais  me chamou atenção foi quando o padre abençoou os representantes e as bandeiras de cada escola de samba. Que povo forte, de fé e muita coragem. Houve uma grande queima de fogos, muitos balões de gás de cores vermelha e branca.  Em cada morro,  em cada hospital  que a imagem passava,  o padre dava sua benção. Foi uma procissão  muito linda 

que marcou nossas vidas.

Minha vontade de gritar minha devoção para o mundo era grande. Queria que me ouvissem naquele instante, que me vissem ao lado daquela imagem. Muito obrigada, meu santo querido, salvaste a vida do meu filho, recebi um milagre, mas, em pensamento,  consegui. Sei que ele me ouviu fazer um  pedido com fé, devoção e muito amor. São Sebastião, mais uma vez te rogo: meu esposo está precisando muito da tua ajuda.  Conceda-me esta graça,  me faz um milagre. Ele te suplica.  Sabes que és o santo milagreiro. Meu filho ganhou o teu nome santo que foi registrado desde a minha  barriga, quando  precisei de socorro.

Meu São Sebastião,, se já era devota hoje trago cravado no meu peito o teu abençoado e santo nome por toda a minha vida, pois meu filho te adora e te venera. Ama  com louvor este nome dado na  sua  certidão de nascimento. 

Quando precisei de ajuda te fizeste vivo na minha vida naquela cama de hospital me pegastes no colo em nome de Deus  e nosso irmão maior Jesus e salvaste  com tua garra  e nem precisaste  das flechas.  Meu São Sebastião, minhas lágrimas naquele dia  se misturavam  quando ouvia aquelas ave-marias.

Hoje não tenho dúvidas  da fé que sinto  que esta  ardente no meu ser  uma promessa foi aceita  naquele dia dezenove de janeiro de  mil novecentos e setenta e nove quando  quando não olhei para a peçonhenta cobra jararaca, pois ela não enxergou a minha  criança que carregava no ventre  a fé e amor não se mede, se sente. 

Esta é a história de uma mãe e filho que juntos dividem  um grande carinho, amor, devoção e fé. Juntos acreditam  na força desse santo milagreiro.

Meu São Sebastião, meu santo milagreiro, poderoso e grandioso, estás cravado na minha vida. Ouviste o meu pedido, percebeste a minha angústia, recebeste minhas preces. Meu filho te agradece  pela vida que devolveste naquele dia de amargura, pois rolava no meu ventre e pedia ajuda. Santo,  meu filho te venera e te adora. Ele leva o teu nome  para sua história. O nome Sebastião é  um nome de vitória!



Fobia 

Quantos medos carregamos ainda 

Nos nossos dias.

Noticiários cheios de ousadia 

Há muita covardia  

Fala sério! E se encha de coragem 

Estou me arrepiando amarelando com esta fobia  que não me dá trégua 

Minha cabeça está  fervendo pegando fogo nela há muito embaraços 

Muitos bichos, grilos.

Preciso matar acabar de vez com este bicho papão que parece um leão 

Já enfrentei cobra jararaca não foi mole 

Meteu-me os dentes.

Prometi outro dia na virada do ano 

Que iria vencer tantos bombardeios 

Que criei como fantasmas na minha fértil imaginação. Que obsessão! 

Já venci avião,  matei um leão 

Andei num bonde (não foi do Tigrão) 

Não subi a colina, mas subi um morro. 

O mais alto daquela cidade agitada 

E tão bela subi muitas escadas 

Conversei com o Cristo Redentor que me olhou num sol escaldante que fervia a moringa.

Agora surgiu uma nave na minha vida a 

Essa altura 

preciso enfrentar me deitar, embora não possa rolar,

nem me debruçar, nem gritar 

Esta máquina escabrosa querendo me assustar está me dando insônia 

Ou me deito! Ou ela me devora (a ordinária da fobia) 

Mas que medo! Lá dentro me exige tempo. O relógio para.

Não sou paciente. Tenho agonia.

Minha cabeça roda, sai fumaça 

Queima os neurônios. Conto, nos dedos, 

Carneirinhos. Vejo flores.  Faço bolo. Canto. Rezo. Xingo o médico 

Mas resisto. Não peço socorro. 

Questiono-me. Jogo bola. Corro o campo. 

Sinto tudo: enjoo, arrepio. Tudo culpa da fobia. Os olhos arregalam as mãos transpiram, perco a calma. 

E começo tudo de novo. Será se fico ou se grito?

A cabeça: uma mistura louca 

Muito boba 

Tudo culpa da fobia que me segue noite e dia.

Preciso não me agitar, nem pensar neste mal estar. 

A fobia ė indigesta. Atormenta. Transforma a vida numa agonia.

Não é uma investida, é metida. 

É tenebrosa. Apavora até  valente.
Dia

Mesmo carrancudo o dia é lindo

O sol está escondido

Os pássaros sorrindo

Ė mais uma nova semana que espera

Uma segunda-feira que chega. Renasce


Sorriso no rosto, mochila no ombro.

É a vida que segue!

Chaleira no fogo,

e é tudo de novo.

Cachorro latindo, gato miando.

A chuva caindo, criança chorando.


No jardim flores desabrochando

Macaco olhando, o mundo girando.

Menino brincando, bola rolando.

O galo cantando, galinha ciscando.

Ė tudo tão lindo, tudo é vida.

Os humanos correndo, sem tempo.

Lá fora o trabalho espera

A vida tem pressa

Igual cavalo veloz, não para

Ainda há muita cobrança de quem lhe espera.

Da a cobiça, estou fora


A vida é uma roda que gira!

Que não seja a gigante (brincadeira pra criança!)

A vida não é moça virgem, mas é séria.


15/01/2018

De Corpo e Alma 

Hoje pela manhã, resolvi dar uma caminhada.  Entrei numa academia 
Fiquei observando cada jovem que ali estava 
(lá fora muita chuva!)
Na esteira, refletia e via: lindos corpos 
Sarados, bem malhados, alguns definidos
Rostos bonitos, sorrisos aberto. 
Perguntei-me: “Será que eles sabem orar?”
Pois corpo e alma caminham juntos... 
E sem hesitar, logo pensei: 
– O corpo precisa de pão, a alma de oração
Aí sentei num lugar sem ninguém me notar.
Nesse instante começava uma briga interna comigo 
Será que eles estão certos em se exceder com tanta malhação? 
Mesmo sabendo que tudo tem uma razão  estão cuidando do bem mais precioso: a saúde.
Ainda fiquei a me questionar será preciso tanto esforço pendurado nestes ferros e com tantos pesos 
Ou precisamos mesmo de mais orações? 
Para enfrentar  o suor no rosto com tanto  cansaço do trabalho.
O corpo precisa ser cuidado, é perecível, 
Frágil um dia acaba, a alma é eterna 
Ou será precisamos contrabalançar
Os nossos desejos desenfreados? (que são tantos!).
E quando caímos de boca nas tentações, nas comilanças,
pois ela é a porta de entrada e saída. Há essa boca nervosa 
Não espera.
Precisamos traçar metas e certas 
Mas tudo em exagero, não combina 
E a vaidade onde fica? Ou não fica?!
Precisamos mesmo é saber a dosagem, discernir o que queremos para a nossa vida,
pois cada um tem a sua e é responsável pelos seus atos imprudentes. 
Mas o fato é que possamos nos  enxergar no espelho que reflete a alma 
Precisamos ser mais persistentes seja onde for ou com quem for
(nem que seja só).
Cuidar melhor da saúde e da atitude 
Que é mais importante.
Cuidar da nossa alimentação sem passar do ponto
(temos estômago) 
O mais importante é não esquecer de fazer orações 
(nem que seja a noite )...

Pois corpo e alma caminham juntos.


05/01/2018

Na Correria 

Na  correria  do  dia 
Não fechei a janela 
Esqueci a porta aberta 
Não encontrei as chaves 
Deixei o carro morrer no asfalto 
Não cumprimentei a vizinha chata.
Não guardei a mangueira 
Deixei a torneira a pingar. Cada gota uma grana.

Na correria, dei de cara com quem nem imaginava.
Não olhei aquela menina atravessando a rua.
Não falei com o cego que estava na esquina
E me pedia ajuda estendia as mãos.
Perdi o horário da missa.

Na correria, fiz  tudo o que não devia (ou não queria)
Pois não me ouvia!
Na correria, desci a ribanceira de pernas abertas na maior chacota.
Não me via,  tudo fazia, nem olhava o dia 
Sempre corria e nada fazia.
Nem a minha alegria que sorria
só corria e não me entendia
mesmo sabendo que o apressado não vive pois não se enxerga e que precisa mesmo é ter cautela e precauções.Vide bula!
Aprendi que correria mesmo deixa para a vida

pois essa tem pressas, mas que não se estressa.

04/01/2018. A madrugada e o amor 

A madrugada é boemia,  tem lua cheia 
Malícias de corpos sedentos 
Uma mistura de carícias explosão fatal 
Na rua namorados se beijam muita fantasia ilusão muita tensão pode ser tesão amor no coração.
Camas desfeitas lençóis no chão  
Uma grande transformação borboletas e flores enfeitando o chão neste espaço aceso abajur azuis espelhos aos quatro cantos do quarto.
Banheira de espumas pétalas de rosas água  de cheiro exalando pura emoção muita tentação pressão calor tudo tem sabor há muito amor.
Depois de alguns momentos muito relaxamento um êxtase profundo nos envolve a alma que se acalma 
Ao amanhecer  corpos cansados acordados ao som de bandolins 
Ou de pássaros que entoam com seus cantos ou como se fossem anjos 
Entre sonhos fantasias e amor 
Numa noite que vivemos como um casal  de lobos. Um sonho realizado 

Uma grande transformação borboletas e flores enfeitando o chão muita confusão de mãos.

O texto "Uma Grande Viagem" é ficcional. Foi escrito após a leitura de POE, Edgar Allan. O Homem da Multidão.

05/12/2017. Uma grande viagem. Marlene Xavier Nobre 

Numa tarde sombria e fria, me sentia um pouco vazia. Uma apatia me invadia. Estava cansada. Na maior agonia, assim me via. Após tomar um banho, saí para aliviar minhas dores. Fui passear em São José (SC).
Depois de alguns meses corroída, quase enlouquecida, precisava tomar um ar. Caminhava calmamente e observava cada ser que ao meu lado passava.
Resolvi entrar num bar, pensei em pedir algo para me esquentar (que não fosse aguardente!). Escolhi um licor. Estava consciente de que iria para algum lugar e conheceria todo aquele local.
Ali mesmo, pedi informação para o garçom. Queria saber um pouco mais daquela cidade. Foi quando me deparei com um jardim pequeno, mas bem cuidado.
Paguei a conta, agradeci pelo atendimento. Atravessei a rua e me sentei no banco do jardim em frente a uma igreja. Ali fiquei a observar (sem desdém).
Minha mente, naquele momento, fazia uma grande viagem. Não era sonho, nem ficção, era fato, era real que estava à frente dos meus olhos que por muitas vezes ficaram esbugalhados de tão assustados com o que via:
– Pessoas de todos os gostos e rostos.
Quantos seres ainda vivem na maior correria! Num sufoco do dia a dia.
Não fiz com mau propósito, mas não deixei ninguém escapar do meu olhar.
Sentia-me como uma caçadora de borboletas, procurando gente. Em cada pessoa via uma história. Vi gente de toda a espécie, de gostos e estilos diversos.
Altos, magros, gordos, rostos marcados pelo tempo e maltrato; jovens, idosos; gente bonita, elegante, bem vestidas, mal vestidas, maltrapilhos; apressados.
Era uma mistura de gente, e de tudo. Sentia uma fissura de olhar cada pessoa bem vestida ou maltrapilha.
Vi muita encenação e uma mistura de obsessão; pessoas divertidas, contidas, felizes ou tristes. Todas ali tinham um destino certo: iam para algum local definido.
Gente cansada, suada, pedintes, doentes, carentes, na correria do dia.
No meio da multidão, muita gente decente no meio de muita confusão.
Muitas eram assustadoras. Cada uma com a sua maneira de viver.
Todas me encheram os olhos que ficaram arregalados.
Ali fiquei por muitas horas. Algumas vezes cheguei a me compadecer com algumas delas. Tão marcadas pelo destino, muitos olhares perdidos, muitos desencontros e desencontrados. Sentia que faltava em algumas pessoas mais sorrisos, encantamentos, alegrias e cores. Nos rostos, olhares sem direção. Muita confusão, indecisão. Corações sangrando.
Vi uma senhora entrando na igreja, com um rosário nas mãos. Talvez fosse a salvação, no meio de tantos sofrimentos. Naquele momento me recolhi e vi que estava realmente de frente com a realidade nua e crua.
Em seguida, passou um jovem alto, magro de olhos claros, de jaqueta de couro de cor preta e que me chamou a atenção. No meio de tanta gente, me sentia mais uma à procura de algo.
Foi quando deu um estalo na minha cabeça e conversei comigo mesma.
– Sabe? Gostei desse jovem. Formatei um encontro um tanto louco. E imaginei que ele seria um par perfeito para a filha da minha vizinha que passava por sérios problemas depressivos. E ainda no meio da multidão, tomei uma decisão mental: fiz o casamento do jovem que acabava de encontrar e que só de olhá-lo parecia que estava vendo o seu mundo íntimo.
Meses depois, contou-me a mãe, a filha iria casar com alguém que se apaixonara à primeira vista. Os noivos levariam o convite na minha casa, naquela mesma noite. Quando anoiteceu, tocaram a campainha. Ao abrir a porta vi o jovem casal: ela que eu conhecia desde o nascimento e um jovem alto, magro de olhos claros, de jaqueta de couro de cor preta. O mesmo que me chamara a atenção, na multidão, meses antes.


Reflexão de Réveillon

Quero sentir a sutileza, a leveza,
A mais pura das verdades, pois a vida
Assim me espera
Quero vomitar todos os sapos que me incomodam e que se alojaram no meu estômago
que não é lago e nem lagoa,
Muito menos cachoeira.
Quero sentir borboletas borbulharem na minha garganta
Como brisa, o aroma da flor é todo amor
Uma mistura pura do gostoso prazer,
Uma doce harmonia, a mais perfeita sintonia da inocência da criança
Que tira as pétalas da rosa e que brinca de bem me quer como um anjo
Invés de sapos quero dar lugar às borboletas, pois me esperam
Quero me libertar de todos os sapos que se enfeitam de príncipes,
Pois pesaram na minha vida como obsessores

– Sem intrigas, nem fugas!

Não quero mais cobranças
Quero ver mais cores, correr entre os jardins
Banhar-me mais vezes
Quero ver sapos no lago, borboletas pousando em mim
Tenho o aroma e o frescor da flor

– Tudo em mim é amor.

Faz tempo que engulo sapo!Não me defendo, me sinto refém de alguém
Sempre procuro respostas nunca encontro um grande desencontro.
Será ninguém me entende! Pois existo
Não quero viver neste mundo de conflitos tudo é confuso mal respiro
Descuido-me por um minuto... Quantos sapos entraram no meu estômago?
Tenho hérnia de hiato, será que foram os sapos
Que encheram o meu estômago?
Meu esôfago está gritando com tanta espuma espalhada por conflitos
O que quero mesmo (de uma vez por todas!)
é vomitar todos os sapos que fizeram parte de todos os anos da minha vida adulta
Ah! Quero mesmo é deixar todas as borboletas fazerem parte da minha essência feminina
que ama igual menina.


Contagem Regressiva 

Quero mudança urgente que seja na minha cabeça uma boa faxina 
Quero tudo novo e de novo
Que seja num ano novo que está a caminho.
Quero mergulhar num oceano de sonho
E sem fantasias, me olhar um pouco mais
antes que seja tarde demais.
Quero recomeçar tudo de novo e novo 
Vou jogar todas as magoas no fogo 
Mesmo não sendo um Nero 
Quero um mundo novo 
Quero, da minha janela, olhar fatos 
Que não me envergonhem e surpreendam. 
Quero deixar a brisa bater no meu rosto como o hálito de um anjo.
Quero observar, sem ter pressa,
todas as flores que ainda restam nos jardins
que se misturam com os pássaros.
Pois já faz tanto tempo que não vejo 
Borboletas, no ar, a voar.

Quero alegria dia dias mesmo naqueles tristonhos.
Quero guardar nem que seja no fundo do âmago esta paz que sempre foge de mim
Não quero ouvir mais barulho, nem Ficar no escuro.
Quero aprender a ficar somente comigo,
pois sei que esta é a melhor companhia noite e dia. 
– E quando chegar o juízo final, quem vai responder por mim?
– Será o meu guia, meu anjo!
Se tudo está em mim todos os meus critérios textos e pretextos os desejos 
E todas as críticas.
– Se o amor está no ar em todo o lugar, 
Como deixei fugir de mim e nem vi?
Se não conheci, pois só senti o gosto do amargo e do desamor.
Foi porque me permitir!
Ah! Se não vi foi porque não me enxerguei.
Se sou a mais pura das essências 
Pois fui nascida por dois corpos sedentos de desejos e cheios de amor 
Numa noite perfumada tudo exalava.
Porque não me querer não me aceitar 
Do jeito que sou a forma mais esplêndida que o criador me transformou
um ser humano de alma pura e branda, pois  que ainda não tem outra maneira de ser.
Que a melhor companhia ainda é a minha (nem que esteja só comigo).
Pois nas dores, nas alegrias e na euforia
Somos a nossa melhor companhia 
Para aguentar todos os dias, os anos, 
Uma vida inteira até no além.
É fato e não tem pra  ninguém  
Só a nossa companhia suporta nossas manias que são tantas 
Pois somos eternas crianças.

Queria 

Queria ser mais atrevida mais ousada 
Mais malcriada 
Queria me vestir mais nas fantasias 
Nem que fosse de fadas 
Queria me jogar de paraquedas 
Queria viajar bem mais fazer novas amizades que não fossem falsas 
Queria sair mais do trilho mesmo que o trem apitasse no meu ouvido 
Queria caminhar mais na areia 
E deixasse a malandragem mesmo que a minha pele criasse bolha e ficasse vermelha.
Queria tomar mais porre andar mais descalço nem que vomitasse a cama 
Queria me vestir mais vezes na noite de lua cheia nem que fosse de patroa 
Queria olhar mais vezes no espelho.
Mas que fosse nua sem medo e sem vergonha da minha feiura nas minhas fantasias 
Queria não ser medrosa nem melindrosa 
Queria tomar mais frente sem ser doente aos olhos de quem me reprova 
Queria! Como queria!
Falar mais verdades na cara de quem não me olha e na hora certa 
Queria ser mais livre mesmo usando absorvente me sinto amarrada 
Queria escalar montanhas mesmo não sendo aranha.
Queria falar tudo que sinto mais estou de  cinto.
Queria mais sorrisos queria ver mais brilho nos olhos queria ver mais crianças nas calçadas comendo pipoca 
Queria ver mais liberdade e sem libertinagem e nem matanças 
Queria ser mais ouvida queria mais conversas que não fossem falsas nem sem graça pode ser piada 
Queria não ser amordaçada 
Queria falar para o mundo das minhas artimanhas e das minhas vontades que 
São bem engraçadas  embora não seja palhaça. que são poucas de encher a boca 
Queria falar mais palavras bonitas 
Já que não posso ofender a mãe, pois não sou juiz de futebol essa eu falaria de boca cheia pra quem não presta 
Queria! Como queria!
Só que seria cobrada por essa sociedade moralista e de gente de falsa modéstia 
Pois nem sequer podemos botar pra fora o que não presta 
somos chutados porta fora, igual cachorros vira-latas 
 O que na a verdade somos proibidos 
Somos tachados de mal educados 
Queria fazer tudo ainda o que não fiz 
Mas com certeza ainda há tempo 
De fazer muitas estripulias, pois sou adulta, sou vacinada, registrada 
E sabem mesmo ninguém aqui neste mundinho cão me manda 

É tudo uma grande farsa (pra não falar uma M...)
Quem sabe mesmo uma desgraça 

Tem muita gente arruaçando...  Querendo o  osso.


O texto "Catátrofe" foi escrito pautado na leitura da realidade. 
19/12/2017. Catástrofe.  Marlene Xavier Nobre.
A cada ano que finda há previsões de que o mundo vai acabar com uma grande catástrofe. Na verdade o mundo já está sendo destruído há muito tempo. Há muita maldade, fome, miséria, guerras de poder, ostentação, inveja, discórdias, traições, mau caratismo. Ainda há tanto desamor e muita gente que olha para o próprio umbigo.
Descaso de um governo e governantes sem escrúpulos. Quanta desordem num país tão lindo e tão rico! No dia vinte e cinco de dezembro haverá tantas mesas fartas e milhares vazias (sem sequer um pão seco). Jesus já sabia quando dizia:
– Pai perdoa os pobres de espírito, os corações endurecidos e enraivecidos!
Há muita gente perdida, sofrida, sem rumo, sem noção, sem condição e sem um salário mínimo.
Se não ficarmos ligados, a coisa – que já desandou faz tempo – vai ficar preta. 
Muita gente digna  com formação e sem profissão por falta de oferta de trabalho.
Onde estão os papais noéis? Estejam onde estiverem, até o menino Jesus não tem mais dúvidas: 
– Estão todos com o saco cheio! 
O maior presépio é em Brasília e o povo brasileiro com o seu dinheiro tão contado que mal pode dividir um presente com os seus.
Pois como diz o ditado popular:
– Quem pode pode, quem não pode se sacode. 
Serão só os cachorros que se sacodem? As pulgas estão todas no Planalto... 
Não o serrano, mas lá no alto poder corrupto, na capital dos poderosos: uma explosão no universo.
E o povo não pode ser bobo da corte e ficar esperando uma catástrofe natural climática.
Acorda, meu povo, que está de mãos atadas e se comporta igual baratas. Esquece o tempo ruim. Chega de ventanias. 
Deus é pai e cuida do tempo. Só cada um de nós pode agir.  Como está não dá mais!  Acorda, Brasil!

Comemorar um dia importante como o natal é esplêndido. Mas ainda existem meninos Jesus precisando de um lar. Há Jesus perdidos nas avenidas, nos viadutos, nas vielas, nas favelas e nos morros... Sem um salário no mínimo digno.

Um comentário:

  1. A narradora do texto “Uma grande Viagem” apontou para o leitor o local de onde observava o entorno: um banco de jardim em frente a uma igreja, de onde olhava (sem desdém) para as pessoas. A narradora descreve como se dá uma experiência de observação que vai do normal até o paranormal.
    A princípio, agia “como uma caçadora de borboletas, procurando gente”, ou seja, assumia uma atitude "classificatória" (ou imparcial) perante as pessoas observadas. Em seguida, passa a perceber que cada pessoa carrega uma história diferente e experimenta “uma fissura de olhar cada pessoa bem vestida ou maltrapilha.”
    Na sequência, abandona totalmente o projeto de ser imparcial e entra num estado especial de observação que chama de “uma grande viagem”. No final, revela ter tido uma premonição sobre um dos transeuntes desconhecidos que irá se casar com a filha da dona da casa vizinha.
    https://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2017/12/a-escrita-criativa-e-o-ato-de-observar.html

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