quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Textos produzidos por Maria Antonia Mendes (Toinha), nas Oficinas de Criação Literária do N.E.T.I./UFSC

Maria Antonia tem 79 anos, reside há seis anos em Florianópolis. Estudou durante 30 anos. O último ano de ensino formal foi 1995. Em 2015, ingressou no NETI.
O livro preferido é A Menina que Roubava Livros (de Markus Zuzak). Sua música preferida é Pra não dizer que não falei de flores. Antonia participou da XV SEPEX/UFSC (2016) e assim avaliou: "A oficina de criação literária do NETI mereceu destaque sob a coordenação da professora Edna Merola. O objetivo foi mostrar ao público presente, de forma interativa, um recorte das oficinas de poesia. O interessante foi que a comunidade presente participou ativamente dos exercícios, junto aos alunos e à professora. Foi um trabalho muito rico que divulgou de maneira muito positiva as atividades do NETI".


MULHER


Numa noite plácida e divina
Dormia a natureza em seu leito
E o céu iluminado de estrelas
Inspirou a criação de um ser perfeito.

O alvorecer acordou a natureza.
Que de um impulso a deixou de pé.
Lembrou-se do seu sonho iluminado,
E criou a figura da mulher.

Poderosa criadora,
Cheia de graça e beleza,
Pois a mulher que criou,
Confunde-se com a natureza.

Como e capaz de existir 
Perfeição além dos céus?
Como disse Castro Alves:
Amar-te é melhor do que ser Deus.


Beira de Estrada

Viajando para o sul,
Já à noite e bem cansada,
Fui me hospedar num hotel
Ou pensão de beira estrada.

Havia um grande rol,
Na entrada da pensão,
A metade era coberta
E tinha uma televisão.

O recepcionista, sem senões,
Um rapazinho pacato,
Foi dando as informações
E nos levando pros quartos.

Lá fomos envolvidos
Com abraço acalorado
Lá não penetrava o sol
E o calor era dobrado.

Tinha um fedor de mofo
Ali ele fez a festa!
Pois o teto era encharcado
E pingava em nossa testa!

Eu estava com suporte
Eram oito pessoas agora.
Dois carros tiveram sorte,
Porque dormiram lá fora.

Essas coisas valem a pena
Quando não se tem dinheiro,
A gente sai bem cedinho
E nem olha pro porteiro.

Para minha netinha,           
     
O grande prazer da vida,
É vivê-la intensamente
E com os nossos amores
Espalhar nossa semente.

Brotam flores tão singelas!
E quando a primavera avança,
Os frutos que amadurecem
Tem gosto de uma criança.

Vamos festejar este fim,
De ano bem turbulento!
E esperar que o próximo,
Traga menos desalento.

Desejo a todos que haja uma grande mudança de atitude na mentalidade política do povo brasileiro.



Para Luciano

Amor que mãe tem por filho
É sentimento irrestrito.
Quanto mais na vida cresce,
Mais se torna infinito.

Dizem que vem do sangue
Pode ser verdade sim.
Tirando o sangue do corpo
Será que ele chega ao fim?

Acho que mesmo assim,
Esse fim nunca se dá.
Porque sei que este amor,
Está no DNA.


Para Marcelo,

Nossa maior sorte,
É ter sorte de nascer.
Agora depende de nossa
Ações pra sobreviver.

Carregados de coragem,
Fé, pensamento e ação,
Só que precisamos muito,
De controle da emoção.

Nossa cabeça pensante,
Tem pensamentos fecundos
Nem sempre o que é bom pra nós,
É bom pra todo mundo.

Mas nós somos carregados,
De muita bondade escondida.
Elas têm que vir na frente,
Das ações em nossas vidas.

Nas carruagens da vida,
Levamos nossas bagagens.
Nos lugares que chegamos,
Deixamos nossas imagens.

Você é uma pessoa muito querida.

Sorte e coragem, em sua vida!

Florianópolis, 27 de outubro de 2016.
Nunca andei sozinha no mundo. Cada ser que me encontrava se juntava a mim. Andei por vales e rios, cachoeiras e cascatas, cavernas escuras, ou em cima d'água. Animais peçonhentos, passei por cima. Caminhos tortuosos por onde andei sempre teve uma chegada. Lugares distantes, bonitos ou feios. Via tudo com clareza, distinguia as cores, texturas, leveza ou dureza. De tudo eu levava amostras. Nada foi jogado fora. De tudo precisei para crescer na vida. Tive tudo o que queria, porque só queria o que podia. Sonhava com as coisas mais simples. Mas nem pensem que foi fácil. Foi tudo a base de sangue, suor e lágrimas. O que se pode e o que se sonha não quer dizer que é fácil. Mede-se pela capacidade. O que para mim era inatingível para outros era jogado fora. Sai de um lugar finito para um infinito, onde as pessoas diante de mim sabiam tudo. Fechava os olhos e andava só com força e coragem. Foram anos que andei assim. Quando me dei conta, já havia feito tudo o que a vida pediu.


Criação de Maria Antonia e outros


Florianópolis, 1 de setembro de 2016.
O que ouvi da minha mãe quando nasci
Dorme, você nasceu.
Seu nome é nome de santo.
Eu escolhi esse nome
Pra brilhar o seu encanto.



Antonia


Andando sempre se chega,
Nasce-se pra se viver, em
Todas as etapas da vida,
Ondas vão aparecer.
Nunca despreze nada,
Ilhada ou constrangida,
Ame o que conseguir na vida.


Florianópolis, 21 de agosto de 2016.
DESCONCENTRAÇÃO

Por um momento apenas
Roubada a sua atenção
Estava na sua antena,
Uma grande previsão.

Ia ser grande a conquista
Nesse imenso pavilhão.
Já próximo da finalista,
E por um desvio de atenção,

Que tristeza infinita
E por um piscar de olhos,
Foi se embora o medalhão!
Só por desvio de atenção...



Florianópolis, 14 de junho de 2016.
Texto para Teatro de Objetos com Coro.

CORO:
Quem não se comunica se trombica!

SINO
Gatinho preto por que você está sentado em cima desta história?

O PINTALGATO
Estou sentado dentro de um calhambeque, me protegendo do escuro.

CORO:

O calhambeque mais que depressa abriu a porta e o Pintalgato caiu na noite escura. Ele não sabia que o gatinho preto estava se aproveitando dele para desobedecer a uma ordem de sua mãe. Não perguntou! Quem não se comunica se trombica!


Florianópolis, 12 de junho de 2016.
Festa de São João

Uma família muito divertida se reuniu para fazer uma festa de São João. A ideia foi do Senhor Milho Verde, que convidou seu irmão Amendoim para participar do evento. Falou com Sr. Madeira para preparar uma fogueira. D. Pólvora fez os fogos: traque foguete bomba, busca-pé.
O salão da festa era o Arraial.
A mulher do Sr Milho verde, d. Pamonha ficou responsável pela comida e bebida da festa. Também fizeram parte da equipe o irmão de D. Pamonha, Bolo de Milho e seu filho Lele.
Canjica a filha mais velha do casal ficou responsável pela coordenação da festa. Laranja, tangerina, limão, farinha de tapioca vieram de outras localidades próximas para abrilhantarem a festa.
Bebidas especiais são servidas nas festas de São João. E ninguém melhor do que Senhor Jenipapo, dona Pitanga, a garota Laranja, a sapeca gengibre e a colorida Tangerina para preparar os deliciosos licores, tão apreciados nesses festejos.
A festa ainda não estava completa. Faltavam seus animadores e consumidores.
Ainda na roça viram um ser estranho que se aproximavam das plantações e parecia conversar com cada uma delas, amavelmente. E foi assim que tiveram a ideia de convidá-lo para a festa. Bastou chamar um para encher o arraial. Não faltou sanfona, pandeiro, zabumba e triângulo. A festa durou enquanto estávamos vivos. 
Daí não soubemos como foi o final dela. Alguns dias depois, quem ficou na roça ouviu comentários que a festa só acabou quando não havia mais o que comer, nem beber. E que todos saíram desfigurados.

Florianópolis, 15 de maio de 2016.
Ao meu querido neto Gabriel,

Apesar de vivermos distantes, as notícias sobre você me chegam constantemente.
O pai de sua namorada foi para os EE. UU.,para trabalhar por falta de opção aqui no Brasil.
Vai também levar a família. São três filhos e a esposa, todos em situação irregular naquele país.
Sua namorada tem 17 anos e é totalmente dependente dos pais. Soube que ela pretende ficar, alugar um apartamento, morar com uma amiga e dividir o aluguel. Como ela é muito dependente, parece que os pais não vão aceitar essa proposta. Portanto ela deve ir. Imagino como sua cabeça está a mil por hora! Está pensando também em ir com ela não é?
Você igualmente à sua namorada é totalmente dependente de seus pais. Estuda numa universidade particular e não tem renda alguma, apesar de já estar com 19 anos.
Não acha que deve pensar numa nova forma de organizar sua vida para tomar uma decisão mais acertada?
As precipitações impensadas quase sempre são desastrosas. Não desejo isto para o meu neto.
Pense muito e me responda. Quero lhe ver feliz porque te amo.
Abraço, Maria Antonia.


Salvador, 18 de maio de 2016.
Minha querida vovó Toinha,
     
Recebi sua carta e fiquei surpreso pela rapidez com que você é informada sobre a minha vida. Gosto até de você saber tudo sobre mim, porque seus conselhos me levam a pensar.
Só me admiro com a eficiência dos informantes. Seus palpites são importantes para serem avaliados por mim. Mas desta vez vou enfrentar os meus impulsos, já que meu pai não me mega apoio, mesmo desejando que eu pense o contrário.
Eu quero ir com minha namorada para os EEUU. Vou enfrentar os desafios e tentar trabalhar e estudar. Acho que meu pai vai me ajudar com um pouco de grana para os estudos. O resto vou me manter trabalhando.
Por enquanto essa é a maneira que estou pensando para me organizar nessa tomada de decisão. Agradeço seu interesse pela minha felicidade.

 Um grande abraço do seu neto, Gabriel.


Florianópolis, 12 de maio de 2016.

Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada
Ou quase nada.
Já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada
Não deu em nada.
Caminhando contra o vento
Sem lenço sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa pátria, Mãe gentil
Choram Marias e Clarices
No solo do Brasil!

                                                                                     
Florianópolis, 07 de maio de 2016.
1962, 1967, 1979


1962.
Que país é esse nosso,
que vive feliz assim,
misturando futebol,
com política tão ruim?
Mas gosta também de música Beatles,
Bossa Nova, tudo em fim.
Existe tempo ruim,
para um Brasil assim?

Em 1967:
Meu país estava triste,
a revolta foi geral.
Em vez de presidente,
quem governa é marechal.

Com o tal do marechal,
a coisa ficou bem feia.
O cidadão que reclama,
É levado pra cadeia

Ninguém podia falar.
Nem escrever, nem cantar.
Tudo era censurado...
Oh! Terrível militar!

1979:
Ninguém aguentava mais
tanto tempo de angústia.
Foi aí que Figueiredo,
decretou a anistia.

Acho que teve medo
da revolta popular.
Mesmo ameaçando o povo
resolveu anistiar.

Falou que quem fosse contra
àquele tipo de anistia,
prendia e arrebentava,
sem nenhuma cortesia

(Sofri muito nesse tempo).


 Florianópolis, 22 de abril de 2016.

As recordações evocadas pelos anos em que começou a trabalhar informalmente e pelo ano em que teve o seu primeiro emprego formal levaram Maria Antonia a escrever sobre a moeda brasileira, sem se lembrar qual era o seu nome. Ao pesquisar, constata-se que em 1959 e em 1963 era o cruzeiro. O esquecimento dela é natural, já que conheceu várias moedas no decorrer de sua vida: cruzeiro,  cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, cruzeiro real, real...
Leia sobre o dinheiro que circulou no Brasil de 1959 até hoje, pelo link:
Irá perceber que a história narrada por Maria Antonia é bem interessante!

Fatos marcantes da minha vida...

Um dia em 1959, ainda como estudante do curso pedagógico, fui convidada para dar aula de religião, numa escola de uma amiga. O salário oferecido foi de $0,50 ( cinquenta centavos por mês, uma aula por semana). Que coisa boa! Naquela época, consegui comprar um guarda-roupa, um ferro elétrico e ainda sobrou um trocado para o transporte do primeiro mês. Esse emprego rolou por mais ou menos um ano. Perdi o emprego quando entrei na faculdade (por falta de tempo).
Comecei um emprego formal em 1963, antes de terminar meus estudos. Sai da capital,fui para o interior. Lá eu recebia quase $ 2.000,00. Sabe qual foi a diferença sentida em relação ao outro salário?
1000 Cruzeiros - 1963 - Brasil Moedas - AnversoNo primeiro salário de $0,50 não pagava aluguel, tinha onde comer, vivia de farda. No outro, tinha que comprar comida, pagar aluguel, comprar roupa e muitas coisas mais.
1000 Cruzeiros - 1963 - Brasil Moedas - AnversoAno em que me apaixonei... A adolescência é um caso sério. Apaixona-se a cada instante e por qualquer motivo. Não é fácil lembrar em que ano se deu a primeira paixão. É mais fácil lembrar-se da paixão mais forte e marcante da vida. Casei com a primeira forte, em 1966. Como não se deve casar com paixão ela acabou cinco anos depois, mas só fui me livrar dela oito anos depois. Continuei, mesmo depois de casada, a me apaixonar e alimentar meu ego por atitudes românticas.
Em 1968, tive meu primeiro filho, época tumultuada em que eu não estava bem nem com minha paixão (marido), nem com o meu país. Foi difícil, mas se criou...
Ano em que fiz algo considerado útil... Vim da Bahia para Florianópolis em 2009, por opção  própria.Tenham certeza de que não foi fácil essa tomada de atitude. Com a idade avançada, 72 anos (na época) abandonando toda uma vivência em território distante e com características diferentes (climas, costumes, pessoas, etc.), pensei em ficar num lugar mais seguro, perto de um filho, acompanhada do meu espírito aventureiro,vendi o que tinha,preparei a mudança e aqui estou feliz da vida!

Textos produzidos por Carmen Jaecir de Pinho, nas Oficinas de Criação Literária do N.E.T.I./ UFSC

XV SEPEX. 21/10/2016.
Carmen Jaecir Pinho iniciou sua participação nas Oficinas de Criação Literária do N.E.T.I. em março de 2016. Participou da XV SEPEX/UFSC.
Reside em Florianópolis há 10 anos. 
Frequentou escola durante 50 anos. Ingressou no NETI em 2007. 
Participou de cursos até  o ano de 2015. O livro de que mais gosta é Cem Anos de Solidão (de Gabriel Garcia Marques). Aprecia  Frank Sinatra, especialmente New York, New York. 


XV SEPEX
XV SEPEX.



Carmen, Catarina, Ângela e Marlene





Florianópolis, 1 de setembro de 2016.
Acróstico

Como vou esquecer?
Ah! Foi meu pai que me deu o nome
Recebi esse nome de minha mãe
Me sinto honrada e feliz
Essa homenagem é poesia
Nela me transformo numa poesia viva

Florianópolis, 14 de setembro de 2016.

Acróstico

Como se fora criança
Alimento ainda brincar 
Receio não ter tanto humor 
Mas se quero louvação 
Então o nome de minha mãe 

Navega até hoje como homenagem de amor.


Florianópolis, 25 de agosto de 2016.

Descontração
Encontrei uma menina faceira
Com vontade de brincar
Percebi nela uma companheira
De meus folguedos e meu cantar


Iniciamos uma forte amizade
Fazíamos tudo com descontração e entusiasmo
Era como se fosse o meu primeiro orgasmo.



Produção Coletiva elaborada em 25/08/2016. Carmem, Ester, Laércio e Cleide.
Permanência

Sempre que viajo na direção contrária, para um tempo vivenciado há muito tempo atrás, minha mente vê claramente a figura da criança que eu fui.
E sinto novamente a mesma alegria de fazer as pazes com quem acabei de brigar. De brincar de amarelinha com a vizinha. Correr atrás da velha bola de meia. Roubar as coloridas bolinhas de gude.
Comer batata crua com o doce veneno de um açúcar roubado da velha infância.

Criação coletiva de texto para teatro com as personagens Maria (MEROLA, 2011) e Lady Shalott (1833). (Carmen, Marlene Oliveira, Vera, Edna Gaspodini). Florianópolis, 23 de Junho 2016.

SHALOTT
(Olha pela janela, o sol está raiando. Procura seu cavaleiro, mas não o vê. Mas vê Maria chorando).
‒ Por que chora, Maria?
MARIA
‒ Não estou bem, sou porta estandarte, nasci para sambar. Mas o Carnaval acabou, foram três dias de alegria, festa e luz, nos quais todos esquecem suas tristezas. E o mundo nos aplaude!
SHALOTT
‒ Gostaria de me espelhar em você.  Mas estou triste, também sem esperanças; há tempo que não tenho alegria. Hoje vou ao encontro das águas que me abraçarão para todo sempre. Vivi até hoje à espera de meu cavalheiro que não voltou. Minha vida se perdeu no tempo da espera. Você é a nascente da qual eu gostaria de fazer parte.

MARIA
‒ Não se vá, espere para o próximo carnaval e sua alegria voltará. Esquecerá essa espera escura do seu cavalheiro que nunca voltou.

SHALOTT
‒ Adeus não posso mais suportar, viver presa neste castelo, onde só a recordação existirá. A escuridão tomou conta do meu coração. Agora me vou...

MARIA
‒ Não mais irei chorar, pois toda minha dor, no próximo Carnaval, em luz e alegria se tornará. Adeus!

Referência:
MEROLA. Olha o pão de Maria! In A Volta do Contador de Histórias. Nova letra. 2011. Disponível em http://netiativo.blogspot.com.br/2016/06/releituras-edna-domenica-merola.html


Florianópolis, 08 de junho de 2016.
Texto para Teatro de Objetos

Personagens: Pintalgato, sino, carro e celular.



                   (SINO)
‒ Oi, lindo Pintalgato. O que está fazendo com esse sino nas patas?

                    (PINTALGATO)
‒ Estou tentando avisar aos meus amigos gatos que um veículo está passando e recolhendo todos os felinos da cidade.

                     (CARRO)
‒ É isso mesmo. Vou percorrer a cidade e pegar os gatinhos que andam soltos.

                     (CELULAR)
‒ Ora Senhor Pintalgato, vou mandar um whatsapp avisando a todos os gatos que se protejam e fujam do carro!

                      (PINTALGATO)

‒ Obrigado. Assim fico mais tranquilo e posso parar de andar com esse sino pesado para lá e para cá.


Florianópolis, 20 de maio de 2016.
Amiga Vânia,

Esperando encontrá-la bem e com saudades de nossos papos, vou lhe contar uma história.
Conheci uma senhora, moradora da minha rua, que gostava muito de participar das atividades comunitárias do bairro, frequentando reuniões e encontros. Ela se preocupava com os vizinhos, com os animais e principalmente com o meio ambiente e com a natureza.
Um dia, ao encontrá-la, aproveitei para fazer-lhe algumas perguntas que ela me respondeu e transcrevo nessa carta.
‒ Dona Áurea, vejo que a senhora se sente bem ajudando os outros. Por que a senhora faz isso com tanta dedicação?
‒ Eu gosto de ajudar a todos para que tenham uma existência melhor.
‒ Como é exatamente o seu convívio e dedicação às pessoas?
 ‒ Eu visito os doentes, conto histórias às crianças, realizo passeios com idosos e tudo isso, colaboro para que os meus amigos tenham um bem-estar diferenciado.  E, claro, eu também me sinto recompensada, pois nessa fase da vida não podemos ficar parados: temos que nos distrair, viajar, ler, passear e ajudar aos nossos semelhantes.
‒ Mas, sendo a senhora uma pessoa idosa, não acha que os outros é que deveriam ajudá-la?
‒ Não, mesmo tendo idade acho que posso fazer várias coisas.  Mas claro gostaria que me ajudassem, respeitassem e gostassem de mim.
‒ Mas, como a senhora crê que os vizinhos interpretem as suas ações?
‒ Sei que não poderei agradar a todos, pois talvez pensem de outra maneira, diferente da minha. E, ainda como dizem os versos de Renato Teixeira:

"Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz"

‒ Esses versos são minha inspiração para receber e dar carinho e amor!
Pois então, amiga Vânia, depois desse relato, o que você acha de seguirmos o exemplo de dona Áurea e ajudarmos uns aos outros com alegria e abnegação?
Abraços,
                            Marieta.


Florianópolis 12 de maio de 2016
Querida neta,

Espero encontrá-la bem. 

Como não convivemos há muitos anos, estou curiosa para saber se você, na infância, gostava de brincar com seres como Papai Noel, Coelho da Páscoa etc., sozinho?
Pergunto isso, pois quero conhecê-la melhor.
Vou lhe contar uma história: eu tive uma amiga, senhora de prováveis 58 anos, que ela própria brincava com os filhos, já que havia deixado de trabalhar para cuidá-los. Além do convívio familiar, nesses momentos de dedicação e brincadeiras, mãe e filhos desenvolviam papéis lúdicos, sociais e psicodramáticos como brincar de médico, bombeiro, atriz, astronauta, e quando eles sentiam medos, angústias e sensações térmicas, contavam com o carinho e atenção da sua mãe.
E hoje que você está na adolescência, crê que é necessário buscar alternativas e formas de viver melhor no presente e futuro? Pois quando fazemos nossas escolhas, estamos realizando atividades novas e prazerosas com as quais pretendemos crescer como: ir ao cinema, passear, viajar, ler, fazer ginástica e ainda aprender informática.
Quero saber sua opinião, pois sendo idosa, gosto de praticar e vivenciar novas oportunidades para me manter atualizada e feliz!
                               Aguardando sua resposta,

                                               Com carinho da avó.