terça-feira, 10 de novembro de 2015

SEPEX, UFSC. Uma Atividade do NETI: Oficinas de Criação Literária

Na SEPEX, mostra anual de projetos de extensão da Universidade Federal de Santa Catarina, serão apresentadas súmulas explicativas das atividades que o Núcleo de Estudos da Terceira Idade -NETI- realiza para 'alunos' maiores de 50 anos, durante o ano letivo, na Av. Desembargador Vitor Lima, 145 (Campus Universitário – Trindade).

Uma dessas atividades é o Curso Oficinas de Criação Literária. Visite a SEPEX 2015, no campus da UFSC, em Florianópolis, de 11 a 14 de novembro.






Para se inscrever nas atividades do NETI:
contate a secretaria, no início do semestre letivo.
Matrículas dias 7,8,e 9 de março de 2016.
Para quem nasceu em 1965 ou em anos anteriores. 


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Primeiro passo da escrita de um romance. Edna Domenica Merola.

Escrever um romance parece algo inatingível para você? E uma novela? E um conto? Já tentou começar e desistiu? Além de perseverança é necessário método. Sugiro que, após ler um romance que lhe proporcionou bons momentos, faça um esquema da estrutura narrativa do livro lido. 
Como auxílio nessa empreita apresento um esquema padrão da estrutura narrativa: 



Tomando por exemplo o romance Iracema (José de Alencar) teremos o seguinte esquema:




Vimos que a apresentação vai até o 4º capítulo. A complicação vai até o momento em que o amor entre Martim e Iracema  é consumado, no capítulo 15. O nó ou a sequência de fatos que contribuirão para o clímax e desfecho da obra acontece do capítulo 16 ao 31. Os principais fatos narrados são o convívio de Martim e Iracema, a partida de Martim, o nascimento de Moacir, a tristeza profunda de Iracema e o retorno de Martim.
O clímax é dado com a morte de Iracema, no capítulo 32. O epílogo (desfecho) ocorre, no capítulo 33, com a partida de Martim levando o filho Moacir, recém-nascido, e o regresso de ambos, após quatro anos. 
O foco narrativo do romance Iracema é em terceira pessoa, pois o narrador não é personagem. Os personagens de Iracema são divididos em duas tribos: tabajaras e pitiguaras. Os protagonistas são: Iracema (da tribo dos tabajaras) e Martim que é estrangeiro. O filho de ambos será chamado Moacir (criando-se o mito fundador do Ceará). Martim é amigo de Poti que é da tribo pitiguara e que ao final da narrativa irá ser batizado com o nome de Antonio Felipe Camarão. 


O segundo exemplo que será dado é sobre A elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, que tem duas narradoras: a adolescente Paloma (12 anos) e a senhora Renée (54 anos). A diferença de idade das narradoras aponta para duas fases da vida contemporânea: a fase inaugural das escolhas e a fase de avaliação daquelas. O foco narrativo é em primeira pessoa.

As narradoras Renée e Paloma são personagens de suas respectivas narrativas. Renée e Paloma moram no mesmo prédio: a primeira é zeladora e a última é filha dos proprietários de uma das oito unidades do número 7 da Rua Grenelle, em Paris.
Se subdividirmos o texto em três partes, os dois terços iniciais são histórias paralelas que têm por comum apenas a proximidade espacial das respectivas personagens narradoras. Renée Michel faz sua narrativa sobre os moradores do prédio, enquanto famílias de aristocratas que tratam a zeladora como alguém quase invisível ou que existe só para servi-las. 
O livro tem três formas de subdividir a narrativa: os capítulos da narradora Renée; e dois tipos de narrativas de Paloma: Diário do Movimento do Mundo (enumerados de um a sete) e dezesseis subtítulos que incluem as palavras Pensamento Profundo.
A narrativa por Renée compreende cinco partes. Cada uma subdividida em itens enumerados e nomeados. As partes 1 e 3 contêm poucos itens, se comparadas às demais. A última parte da narrativa de Renée inicia à página 257 do livro e tem por título Paloma que é a outra narradora. 

As narradoras só irão partilhar das presenças uma da outra à página 260. (O total são 350 páginas.). 


O terceiro exemplo é da novela:

REFERÊNCIAS

ALENCAR, José de. Iracema. 1865. Domínio Público.

  
BARBERY, Muriel. A Elegância do Ouriço. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.



THOMÉ, Lourdes. A Filha do Coração. Disponível em 

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Cartas trocadas entre Ana Marise e Edna Domenica sobre o texto "Viagens".

Oi, Edna, bom dia!

Conforme solicitado em aula, te escrevo esta carta buscando esclarecer algumas dúvidas em relação ao texto Viagens.
Cheiro de camarão e dendê lembra a Bahia, certo?
O garoto negociava a venda de uma colcha de renda com uma turista italiana, recém chegada em algum transatlântico de bandeira italiana?
Barão morto, saudade e recordações de "velhos" carnavais...?
O "footing" automobilístico quer dizer....?
Paladar e audição de um saber corporal?
Minas Gerais, Ouro Preto, contrastes entre o passado e o presente, o antigo e o atual. Ave Maria! Nostalgia?
A noite brinca e se "entremeia" com a tarde que finda. Por que saber-se só?
Largo da Alfândega, pedestres, odores variados seria o mercado de Floripa?
Pela diversidade do texto posso dizer que existem muitos "brasis" nesse nosso amado Brasil?

Um abraço da Ana Marise.


Marise,

O texto Viagens reúne alguns traços de memórias sobre alguns pontos turísticos no Brasil, mas o passeio refere-se a uma introspecção feita personagem narradora. O passado é evocado por meio de alguns saberes corporais ligados à audição, paladar e olfato.
A narrativa percorre Bahia, Ouro Preto, Florianópolis e evoca lembranças do muitos brasis que coexistem à revelia de seus diferentes sotaques e tradições.
Da Bahia, os blocos de Carnaval comparecem na figura do Barão, fundador do bloco com seu nome.
A topografia de Ouro Preto, no texto, é vinculada ao catolicismo em sua contrição e recolhimento (“saber-se só”). No tempo narrativo presente, Floripa vem à tona por meio do Largo da Alfândega.

Abraço, da Edna.



ADENDO TEXTO Viagens (MEROLA, 2011)

Cheiro de dendê e camarão sobre o passeio sujo em frente ao Mercado Modelo. Céu em azul e rosa. Em diálogo com um moleque de sotaque baiano negocio a compra de uma colcha de renda. Pra ganhar terreno, o esperto garoto denuncia minha herança de fala italiana. Sotaques trocados, preço acertado. O frio e o peso dos colares banhados em prata sobre a textura branca da blusa de confecção local formam um conjunto de artesanais lembranças que a brisa, que sopra, “beija e balança”.
O hino do bloco do Barão cantado por nós, jovens folionas, enquanto o maduro barão fechava o cordão em carro... Tudo isso é agora histórica recordação que faz parte dos registros das viagens feitas nos espaços de outrora. Faz muitos anos, o Barão se despediu dessa vida, para inaugurar etéreos blocos nas festas de um mundo depois deste. Ficamos nós ex-jovens folionas que agora já contamos tantos carnavais.
O cheiro de sanduíche de filé ‘mignon’ no ‘croissant’, os barulhos distantes de pratos e carros, na parada obrigatória, na casa de Chá Yara, após o ‘footing’ automobilístico do domingo, no bairro dos Jardins, na São Paulo sem metrô... Paladar e audição de um saber corporal antigo resgatado da memória que degusta e ouve novamente.
O cheiro da terra molhada num canteiro de plantas leva-me para uma cidade de Minas Gerais, em abril de 1982.
Esse tempo local é então um útero que aninha embriões heterogêneos em suas reentrâncias. É uma meretriz maltratada pelo passar do tempo ou uma nobre decadente, cuja beleza e cujo luxo são mofo e limo.
É contraste, é barroco, é lusco-fusco. Oposição ente a austera arquitetura e o movimento constante da juventude. Contraste entre a beata que desfia o terço na procissão do Cristo morto e o grupo que festeja a vida na desconfortável república estudantil.
Mas os opostos são idênticos no mistério do entardecer, quando as sombras penetram os velhos casarões e os jovens corações.
Nostalgia! Nostalgia!Nostalgia! É o badalar do sino na Ave-Maria. Os velhos se recolhem no passado e os jovens no futuro. Hora em que o gado volta ao curral e as pessoas se recolhem em si, em seus valores, em seus sentimentos, em suas emoções, em suas esperanças.
Pôr do sol! A brisa fresca paira sobre as curvas da cidade fêmea. A bola de fogo se despede, ocultando-se atrás dos morros. O sol se põe piscando um olhar cúmplice para os que amam a noite.
Alguns minutos e não se poderá distinguir quando é ouro e quando é preto, em Ouro Preto. Instantes de estranha magia estes em que a noite copula com o dia. Divino entrelaçar de elementos opostos¸ resfolegante luta entre brilhantes e opacos.
Pessoas emudecem. Ouve-se tão somente a natureza. Contemplação do mistério da existência. Medita-se sobre o enigma da criação. Velhos erguem seus olhos para os campanários das várias igrejas em busca de um longínquo Deus de fora. O jovem busca seu deus interior.
Boca da noite. Momentos de saber-se só. Somente. Ouro Preto é um favo de mel de onde a noite se derrama vagarosamente. É uma aranha viúva que tece sua teia pausadamente.
Noite e dia transam numa boa. Agoniza o dia, gemendo de prazer... Nos seus últimos “ais”... Enfim, plenitude: a noite cavalga o dia.
É o momento incontestável do orgasmo universal. Astros brincando... Estrelas despudoradas mostram-se todinhas!
É noite em Ouro Preto. A juventude prolifera como doença contagiosa nas calçadas mal iluminadas da cidade. A praça da matriz é uma orgia de cores. Difícil saber se os adolescentes vestem o que querem ou o que os outros não querem. A praça é uma eterna festa, é um carnaval permanente.
Há uma aparência de descontração mais ou menos programada no visual dos jovens. Mas a movimentação das pessoas, nas calçadas, mostra a busca do experimentar e a sede do estar presente no aqui e agora. O ir e vir de cada transeunte parece ter a voracidade de ser tão espontânea quanto uma minhoca ao se deixar escorregar pra dentro da terra. É um ir e vir que lembra a busca do ouro encravado no solo das minas gerais, em épocas pretéritas.
Lá do alto, a lua participa do ir e vir da praça da matriz. Conta o velho na calçada, que, quando é noite de lua cheia, em Ouro Preto, não há lobisomem que aguente...
Finda a noite da lua cheia de outrora, raia novo dia; desta feita num tempo atual, vizinho ao mar.
Enxame de pedestres, Largo da alfândega. Odores difíceis de reconhecer dentre as variadas cores de hortaliças, grãos, objetos artesanais. A arquitetura do velho mercado se impõe como algo que persiste pra contar a História da Ilha da Magia.
Aguço os ouvidos e arregalo os olhos, acariciando efêmera folha de papel onde tudo pode renascer com sabor de novidade.

REFERÊNCIA
MEROLA, E. D. A Volta do Contador de Histórias. Blumenau: Novaletra. 2011. Pp. 23-28.


Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Carta de Ana Marise para Edna Domenica.

Edna,

Faz tanto tempo que não escrevo que começar está difícil. Mas, vamos lá.
Lembrei-me de nossa conversa sobre a cor dos meus cabelos e parece-me ser esse um assunto interessante. Deixei de pintar os cabelos, pois se tornava muito dispendioso e "chato", a cada 20 dias, marcar presença no salão de beleza.
Comecei por apenas cortá-los, periodicamente, até que os mesmos se tornaram totalmente brancos. Isso levou exatos oito meses. Até aí, tudo bem. Eu estava passando por um processo de mudanças. 
No início, alguns cortes mais modernos, depois alguns mais ousados e lá se foi mais um ano.  
Ah, esqueci de mencionar no início desta carta, sempre fui uma mulher "pra frente" como diziam as minhas amigas da época de juventude. Sendo assim, aqueles cabelos, branco nuvem, começaram a me aborrecer. 
No final de setembro de 2014 fui convidada a participar das festividades do Outubro Rosa e resolvi fazer uma mecha rosa, uma só, bem larga, na frente, para o lado direito. AMEI! E foi um sucesso. 
Em novembro, para homenagear o Novembro Azul, fiz uma azul, nos mesmos moldes, para o lado esquerdo. Confesso que ficou um pouco estranho, mas... Desde então venho inovando nas cores e no feitio.
Para o próximo Outubro Rosa estou aceitando sugestões.

Meu cordial abraço,
                        Ana Marise.



terça-feira, 22 de setembro de 2015

Diário de Classe das Oficinas Literárias de agosto e setembro de 2015. Edna Domenica Merola.

No semestre 2015.2, as Oficinas Literárias realizadas no Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI, UFSC) tiveram por foco didático o gênero literário epistolar e por fundamentação a teoria moreniana de papéis. Escrever cartas, portanto, adquire novos significados tais como os relativos ao desempenho de papéis (resgatar, atualizar, desenvolver, criar). O curso iniciado em agosto, alcançou ao final de setembro o seguinte traçado:
Desenho Didático de autoria da Professora Edna Domenica Merola


Emissor e destinatário alternaram os papéis de escritor e leitor, na experiência de ensino-aprendizagem quanto ao gênero epistolar. Já quanto ao gênero dissertativo, um leitor 'escolheu' uma carta escrita por um colega e assumiu o papel de comentarista do texto (carta).

Átomo Social

Retrata o conjunto de papéis que uma pessoa desempenha num dado momento de sua existência, incluindo os complementares desses papéis.
O desenho do átomo social foi usado como aquecimento para escrita de memórias de infância, tendo por foco a conscientização dos papéis e dos complementares. A técnica de redação usada foi a de uma carta. No exemplo que será dado, a emissora é uma criança que escreve, em 7/9/1945, para destinatária (que é ela mesma, já senhora) em 7/9/2015.
"O termo Psicodrama origina-se do grego, sendo drama correspondente a ‘ação’, e psique (psykh) significa: alma, pessoa, mente." O papel psicodramático está ligado ao faz de conta. No átomo social de uma criança seres tais como Papai Noel, Menino Jesus, um Amigo Imaginário são exemplos de complementares de papéis psicodramáticos.

REFERÊNCIAS:

MORENO, J.L. Psicodrama. 2 ed, São Paulo: Cultrix. 1978.


Exemplo de Átomo Social Tempo Passado (Carta de Autoria de Marli Barcelos)

A carta abaixo foi escrita após exercício de registro dos papéis sociais desempenhados pela autora aos 10 anos de idade:
1- irmã de onze pessoas, sendo os mais próximos: Jaime, Maria, Marlene e Marina;
2- afilhada de Érica;
3- ajudante de Olavo;
4- cidadã de Corruchel;
5- visitante de parentes e amigos dos pais.
É ainda mencionado o papel de devota do Menino Jesus (papel psicodramático).

Carta da "Menina" Marli

Corruchel, 07 de setembro de 1945.
Caros Colegas do Futuro,
Meus 10 anos são intensos de quanto brinco. Somos doze irmãos. Os irmãos mais próximos: Jaime, Maria, Marlene e Marina.
Ajudo nas tarefas, e aos domingos brincamos de casinha e de bonecas de pano, de comadre,fazemos altar e cantamos, rezamos e tem um padre.
Moro com minha madrinha Érica e Ana, é muito bom! Mesmo assim sinto saudade de casa. Nesses dias, recebi uma carta de um amiguinho, ele se diz apaixonado, tem 14 anos, se chama Olavo.
Descobri também quem é menino Jesus, e também de onde vem o bebê.
Breve vou voltar para a casa para ser ajudante do meu irmão Jaime. Ele faz bicicletas de madeira para brincar.
O lugar onde moramos se chamava Carrossel, mas devido à chegada dos imigrantes alemães eles pronunciam como Corruchel.
 Minha infância será legal, meus pais nos levarão para passear de carro de mola, nos lugares longe de onde moramos. As viagens serão de três a quatro horas, visitaremos parentes e amigos.
Muitos anos se passarão até nos conhecermos, em Florianópolis. Até lá!
Atenciosamente, Marli Barcelos da Costa.


Florianópolis, 07 de setembro de 2016.
Menina Marli,

Fui eu que ‘achei’ a sua carta! Achei muito divertido “brincar com o tempo”! E instrutivo: pesquisei para saber que o Distrito de Corruchel pertence ao Município de Pouso Redondo, SC.
Gostaria muito de andar de carro de mola com você e seus irmãos. Deve ser legal! Estou aqui numa sala de aula do Núcleo de Estudos da Terceira Idade do qual sou professora voluntária. Fica numa ilha que cabe dentro da cidade que é capital do Estado de Santa Catarina.
Você está com 10 anos de idade; acho que já estudou esses pontos de Geografia... E sabe o que é uma ilha... Mas acho que ainda não conhece o mar... Então vou contar como é aqui.
Em Floripa, tem belas e inúmeras praias. As pessoas idosas frequentam bailes, concertos, cinemas. Tomam banhos de mar! São saudáveis e bem alegres!  Alguns habitantes atuais de Florianópolis vieram de fora. O sotaque das pessoas que viveram a infância no interior catarinense faz-me lembrar dos antigos moradores dos bairros da minha cidade natal onde predominavam imigrantes... Os italianos da Mooca... E do bairro do Bexiga... Os alemães do Campo Belo...
Curta bem seus momentos em família. Valorize o estágio de aprendizagem profissional que seu irmão lhe proporciona. Hoje em dia é necessário estar cursando a universidade para conseguir uma vaga de estagiária!
Espero que continue firme na sua fé no Menino Jesus. Aguardo você.
Um abraço, da Professora Edna.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Primeira Carta aos Participantes do semestre 2015.2 das Oficinas de Criação Literária do NETI. Edna Domenica Merola.

Cara (o) Aluna (o) do Curso Oficinas de Criação Literária do NETI,

O objetivo desta carta é convidá-lo a participar de um debate sobre os significados que os participantes estão atribuindo ao seu processo de aprendizagem e que tiveram por pano de fundo os encontros semanais, nas oficinas de agosto. 
A organização do texto desta carta partirá de algumas considerações que relatam e descrevem a participação do grupo de inscritos, durante o primeiro mês do semestre, e delineiam os limites dos trabalhos elaborados em três oficinas com duração de 02 horas cada (06 horas presenciais). 
O texto da carta prosseguirá com um rol de questões e finalizará com links para leitura de textos sobre o gênero literário que estamos estudando.

I- Considerações Preliminares:
1- Dado o grande número de textos produzidos pela turma de alunos do semestre 2015.2, elaborei um rol para que os participantes tenham alguma dimensão deste todo ainda embrionário que é o grupo das Oficinas

Autor(a)
Emissor (a)
Destinatária (o)
Papéis Sociais
Adalberto
Adalberto
Edna
Professora e aluno
Adroaldo
Adroaldo
Edna
Professora e aluno
Antonieta
Antonieta
Edna
Professora e aluna
Beduína
Beduína
Edna
Professora e aluna
Bernadete
Penélope
Edna
Professora e aluna
Cristina
Cristina
Edna
Professora e aluna
Zélia
Zélia
Edna
Professora e aluna
Nilza
Nilza
Edna
Professora e aluna
Adroaldo
Adroaldo
Adalberto
Colegas de oficina literária
Bernadete
Penélope
Martinha
Amigas
Marli
Marli
Irmã
Irmãs
Nilza
Nilza
Jane
Amigas

Autor(a)
Emissor (a)
Destinatária (o)
Papéis Psicodramáticos
Adalberto
Adalberto
Deus
Fiel e Deus
Adroaldo
Adroaldo
Dirigente de grupo de dança gaúcha de salão
Dançarino e instrutor de dança gaúcha
Antonieta
Antonieta
Erasmo Carlos
Fã e ídolo da Jovem Guarda
Antonieta
Antonieta
Paloma
Escritora e leitora
Cristina
Cristina
Professora R.C.
Professora e autora de livro
Nilza
Poeta
Elizete Cardoso
Elizete Cardoso e Poeta

2- Considerando a natureza das aulas que ministro no NETI terem por prioridade (durante um semestre) somente um dentre os três focos: 
Jogar e desenvolver o papel psicodramático de narrador;
Jogar e desenvolver o papel psicodramático de 'eu lírico';
Jogar e desenvolver os papéis de leitor e escritor – inseridos no contexto de oficinas literárias. Vivenciar a complementação dos papéis de leitor e escritor, no contexto de oficinas literárias. (MEROLA, 2015)
3- Considerando que a professora Edna "adota"  o que segue:
"O ensino-aprendizagem da escrita literária, quando recorre a vivências e experimentação, é adequado ao formato de oficinas. Uma oficina tem por foco a reflexão sobre a própria prática educativa da (o) participante, o que pressupõe que ela (ele) esteja desempenhando o papel em pauta e se disponha a realizar as propostas apresentadas pela ministrante e compartilhar com colegas os seus resultados. A oficina literária é o espaço onde são oferecidas atividades práticas de criação pela palavra, proporcionando novos conhecimentos e vivências e instalando o hábito de exercitar frequentemente a escrita. A ação docente se coloca por meta interferir na percepção do aluno-escritor sobre a leitura e a feitura em suas facetas emocionais e relacionais." (MEROLA, 2015).

II- Preparo de participação em debate
A- Reflexão sobre algumas questões:
1-    Qual o gênero literário que estamos estudando no Curso Oficinas de Criação Literária do NETI?
2-    Para que serviam as cartas antes de ser inventada a imprensa?
3-    Como as cartas são trocadas na sociedade contemporânea?
4-    Fotos instantâneas trocadas por celulares relatam fatos?
5-    Considerando que o uso da palavra escrita no relato de fatos não esgota o que uma carta pode conter, pergunta-se: para quê identificar os papéis que os emissários e destinatários desempenham numa carta?
6-    Por que é importante termos consciência de que somos atores sociais? Essa consciência pode ajudar a resgatar o espaço social a ocupar após a aposentadoria?
7- Haveria uma utilidade didática e/ou existencial em escrever uma carta na qual o emissor fosse alguém diferente do autor? E em relação a escrever a um destinatário inventado ou construído? 
8- Qual o foco das aulas que você assistiu: 
(  ) Jogar e desenvolver o papel psicodramático de narrador;
(  ) Jogar e desenvolver o papel psicodramático de 'eu lírico';
(  ) Jogar e desenvolver os papéis de leitor e escritor. 

9- Qual o tempo que tem gasto, semanalmente, com as tarefas das oficinas?

B - Leituras complementares nos links:    

http://pt.scribd.com/doc/15698960/O-GENERO-EPISTOLAR#scribd

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ep%C3%ADstola 

http://ivanleite09.blogspot.com.br/2011/09/genero-textual-carta-texto-epistolar.html 

http://comunicacaocajamar.blogspot.com.br/2009/04/generos-epistolares.html




 REFERÊNCIA

MEROLA, E. D. Pedagogia do Psicodrama: a ação do grupo no desenvolvimento de papéis das pessoa idosa. Monografia do Curso de Especialização em “Atenção à Saúde da Pessoa Idosa”,CCS,  NETI, UFSC. 2015.

Síntese

"A carta é um texto escrito no qual alguém transmite uma informação a um destinatário ou leitor, que interpreta o sentido e assume determinada atitude diante da informação recebida." [Enciclopédia do estudante; Vol. 08; pág. 156.]
Antes de ser inventada a imprensa, as cartas a substituíam. Cartas serviam e servem para relatar ou representar pela palavra as experiências vividas, situando-as no tempo.
Na sociedade contemporânea, as cartas são trocadas via correio ou meios eletrônicos digitais, variando de acordo com o seu propósito e conteúdo e com a pessoa a quem são dirigidas (destinatários). A linguagem usada numa carta determina o seu tipo: entre amigos; comercial; propagandística; familiar; informativa; literária (reflexo dos sentimentos e sensações do autor ou de personagens de uma obra literária); social (convites); de agradecimento; de felicitação (bodas, aniversário, formatura), de pêsames.
 Fotos instantâneas trocadas por celulares relatam fatos. Corre-se o risco de que os fatos sejam deturpados pela fragmentação, podendo servir para "bulling" ou propaganda enganosa. 
A carta vai além de relatar fatos, pois registra a natureza das relações entre emissários e destinatários. Registra, em alguns casos, a natureza dos vínculos existentes entre eles. 
É importante termos consciência de que somos atores sociais. Essa consciência pode ajudar a resgatar o espaço social a ocupar após a aposentadoria. Desta feita, haveria uma utilidade didática e existencial nas oficinas de escrita de cartas. Quando o emissor é alguém diferente do autor, e quando um destinatário é inventado ou construído, estamos num contexto de escrita literária, no sentido de criação ficcional.
O foco das aulas dadas durante o mês de agosto foi o de jogar e desenvolver os papéis de leitor e escritor.

domingo, 16 de agosto de 2015

Volta às Aulas: Oficinas de Criação Literária do N.E.T.I. Edna Domenica Merola.




Para fazer escolhas racionais no planejamento, subsidiar as ações docentes e selecionar atividades à altura do conhecimento dos alunos, foi necessário verificar pré-requisitos dos alunos por meio de um questionário.  
O pré-teste foi uma oportunidade para os alunos conhecerem o leque de conteúdos que poderão ser ensinados nas oficinas e para sondar as intenções de participação (ou não) em atividades grupais extra-classe.
Nas aulas do tipo oficina são usadas atividades lúdicas com objetivos específicos. Nelas o convívio tem por pano de fundo o processo ensino-aprendizagem e os papéis de professora e alunos são definidos. A professora ensina conteúdos, cria situações para serem vividas ou experimentadas pelos alunos. Nesse processo, a autoavaliação é mais importante do que a avaliação externa. Os alunos são responsáveis por sua aprendizagem e pela colaboração com a aprendizagem dos colegas.  Os objetivos são os de instigar a pesquisa, promover reflexões, incentivar a participação e a produção cultural.
O uso da dramatização em oficinas literárias tem por objetivo criar personagens, sendo útil para ensinar a escrever uma  narração,  um texto para teatro, uma crônica, um conto, uma novela, um romance. 
A dramatização também pode ser um aquecimento para a escrita de uma carta, uma poesia, uma descrição, e até uma dissertação. Participar de dramatizações desinibe e ajuda a organizar ideias para escrever. O uso da dramatização também é indicado para quem quer se preparar para participar de apresentações grupais e em eventos do tipo sarau.
Para escrever uma narração é possível usar o discurso direto e o indireto. As falas dos personagens são precedidas por travessões. É preciso criar um narrador e decidir se ele será personagem ou não da narrativa. O narrador irá participar da ação ou não? É possível descrever os personagens de forma detalhada, explícita e literal; ou de forma mais pulverizada ao longo da história.
Num texto para teatro é possível usar só o discurso direto ou as falas dos personagens. Pode haver a inclusão do personagem narrador ‘coletivo’ ‒ como no coro da tragédia grega. As instruções sobre como realizar as falas (rubrica) são substantivas, descritivas, circunstanciais.
Num poema é possível expressar sentimentos ou elucidar um raciocínio lógico através de um soneto. Usa-se rimas, linguagem metafórica, disposição vertical das palavras. Seus tipos ou formas: acróstico; soneto; trova. Num poema contemporâneo é possível usar citações de poetas renomados, de letras de MPB, de palavras inventadas ou neologismos.
Numa crônica é possível narrar casos verídicos de forma detalhada, expressar opiniões sobre casos verídicos, narrar um caso da realidade compactuada para criar uma atmosfera emotiva sobre ele, construir abstrações ou desenvolver um tema a partir de um ‘pensamento’;  situar um fato atual no tempo e espaço para: opinar e expressar emoções sobre ele, sensibilizar o leitor para um fato situado num tempo determinado.
Num conto é possível narrar caso verídico ou da ‘realidade compactuada’ para extrair uma mensagem sobre ele; narrar uma história ficcional para extrair uma mensagem sobre ela; situar fatos no tempo e espaço; situar a narrativa em local e tempo indeterminados ou do tipo “era uma vez”.

Outra atividade realizada na primeira aula foi o jogo da confecção do cartão de apresentação. Foi solicitado que, no cartão, fosse citada uma habilidade que cada um poderá disponibilizar para os colegas durante a convivência nas aulas. Após a escrita, os cartões foram expostos em conjunto e cada pessoa escolheu o cartão confeccionado por um colega. Depois a professora pediu para cada um chamar o colega escolhido e destacar o motivo da escolha de tal cartão. Foi pedido que cada escolhedor tocasse no ombro do colega escolhido. Não houve nenhuma escolha recíproca. O total das escolhas dos participantes compôs duas sequências em cadeia, podendo-se supor a formação de dois subgrupos. No entanto, o primeiro aluno a escolher o cartão teve o leque total de opções, o que não aconteceu com os demais. As atitudes dos participantes (pessoas que em sua maioria não se conheciam até aquela oportunidade) apontam para um bom prognóstico das relações que poderão se fortalecer e para o grupo que irá se formar. 
Que todos perseverem ao longo do semestre! 

A tarefa sugerida para realizarem durante a semana foi a de escrever uma carta para a professora.