quinta-feira, 12 de junho de 2014

Palestra do Prof Alberto Gonçalves sobre a obra Leite Derramado. Relatório feito por Edna Domenica Merola.

A palestra sobre o livro Leite Derramado (Chico Buarque de Holanda) proferida em 12/6/2014, no auditório do N.E.T.I. levou os presentes a indagações em torno de temas polêmicos sobre a recepção literária:
‒ As interpretações em torno da expressão 'leite derramado';
‒ As linhas divisórias (ou não) entre escritor e narrador; entre narrador personagem e personalidade 'pública'
Após a palestra, pesquisei definições dos termos para expor aos leitores:
es•cri•tor |ô| substantivo masculin. 1. Autor de obras literárias ou científicas (com relação ao estilo, à forma que emprega).
escritor público
• Literato de profissão.
"escritor", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/escritor [consultado em 14-06-2014].
nar•ra•dor |ô| nar•ra•dor |ô| (latimnarrator, -oris) adjectivo
1. Que narra.
substantivo masculino
2. Aquele que narra.
3. [Literatura] Entidade ficcional que produz o discurso de uma narrativa (ex.: narrador autodiegético, narrador heterodiegético, narrador homodiegético).
"narrador", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/narrador [consultado em 14-06-2014].
per•so•na•gem (francês personnage) substantivo feminino ou masculino
1. Pessoa fictícia de uma obra literária ou teatral.
2. Papel desempenhado por um ator.
3. Pessoa considerada .em sua aparência, .em seu comportamento.
4. [Belas-artes] [Belas-Artes] Representação de um ser humano numa obra de arte.
personagem influente 
• Pessoa importante ou célebre.
"personagem", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/personagem [consultado em 14-06-2014].
‒ Relação do título da obra e sua forma em 'leite derramado';
Ao final da aula a tarefa sugerida por pessoas do grupo e combinada entre todos foi escrever sobre o tema 'leite derramado'. (Criando um título diferente da expressão 'leite derramado'). Qual a diferença entre tema e título? Leiamos suas definições:
tí•tu•lo 
(latim titulus, -i, inscrição, título de um livro, título honorífico, honra)
substantivo masculino
1. Inscrição posta na primeira página de um livro ou no alto de um jornal e que lhes serve de nome ou designação.
2. Inscrição na lombada de um livro encadernado.
3. Designação que no começo de um capítulo ou de uma seção indica o assunto ou matéria que ali se trata.
"título", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/t%C3%ADtulo [consultado em 15-06-2014].
te•ma |ê|
(latim thema, -atis, tema, assunto, tese)
substantivo masculino
1. Assunto, matéria.
"tema", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/tema  [consultado em 15-06-2014].

Estrutura narrativa de Leite Derramado e a repetição;
A estruturação narrativa é a da rapsódia: justaposição de escassa unidade formal de temas conhecidos que se caracteriza por ter apenas um movimento, mas podendo integrar fortes variações de tema, intensidade, tonalidade, sem necessidade de seguir uma estrutura pré-definida.
E- Projeções da vida pessoal do narrador X retrato social;
E qualquer coisa que eu recorde agora, vai doer, a memória é uma vasta ferida.[Leite Derramado, cap. 2]
A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório. Ou como a filha que pretende dispor minha memória na ordem dela, cronológica, alfabética, ou por assunto. [Leite Derramado, cap. 8]

‒ Música Francisco e Livro Leite Derramado (ambos de Chico Buarque)
Letra da Música
Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida
Roupa lavada
Vida veio e me levou
Fui eu mesmo alforriado
Pela mão do Imperador
Tive terra, arado
Cavalo e brida
Vida veio e me levou
Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor
Quem me vê, vê nem bagaço
Do que viu quem me enfrentou
Campeão do mundo
Em queda de braço
Vida veio e me levou
Li jornal, bula e prefácio
Que aprendi sem professor
Frequentei palácio
Sem fazer feio
Vida veio e me levou
Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor
Eu gerei dezoito filhas
Me tornei navegador
Vice-rei das ilhas
Da Caraíba
Vida veio e me levou
Fechei negócio da China
Desbravei o interior
Possuí mina
De prata, jazida
Vida veio e me levou
Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Hoje não deram almoço, né
Acho que o moço até
Nem me lavou
Acho que fui deputado
Acho que tudo acabou
Quase que
Já não me lembro de nada
Vida veio e me levou

Comentário sobre três versos da letra da música Velho Francisco:
Me tornei navegador
Vice-rei das ilhas
Da Caraíba

Caraíbas estava em evidência em notícias sobre 'Paraísos Fiscais' à época da publicação do livro Leite Derramado, em 2009.
Em 20/5/2010, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) retirou três paraísos fiscais das Caraíbas da lista "de territórios não cooperativos".
As ilhas Dominica, Grenade e Santa Lúcia assinaram pelo menos 12 acordos bilaterais de troca de informação fiscal cada uma, ou seja, o limiar necessário para serem retiradas da lista negra dos paraísos fiscais da OCDE. De acordo com o comunicado, "eleva-se para 28 o número de órgãos jurisdicionais" que foram branqueados "desde Abril de 2009", quando as listas de paraísos fiscais foram publicadas pela OCDE na sequência da cimeira do G20 de Londres, onde foi discutida a regulação e a luta contra a fraude fiscal, uma das prioridades face à crise.

REFERÊNCIAS

Escolha do Tema
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X
Justificativa
Interessante, apesar de focar num único autor e obra específica. Soube acrescentar elementos que destacassem o tema.
Envolvimento das pessoas presentes com o tema da palestra
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X
Justificativa
Grupo participativo, interessado. Professor apresentador muito bom, didático, calmo, demonstrando grande conhecimento sobre o assunto, bem como admiração pelo autor em pauta.
Relação do tema com as aulas de escrita literária
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X
Justificativa: De acordo, pois a escrita literária tem a ver com estilos e autores. Ampliou o universo cultural e autoral do grupo.
Avaliador 2
Escolha do Tema
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X

Justificativa
Chico é um dos baluartes de nossa música. Inteligente, poeta, ‘político’ em diversas artes. Sempre fui seu fã.
Envolvimento das pessoas presentes com o tema da palestra

Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X

Justificativa 90% participou.

Relação do tema com as aulas de escrita literária

Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X

Justificativa
Apropriado. Excelente escolha.

Avaliadora 3
Escolha do Tema
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X
Tive a felicidade de fazer parte do encontro com o Jovem Professor Alberto, que, conduziu maravilhosamente a Palestra sobre Chico Buarque de Holanda. Sua voz me trouxe ao vivo e a cores os melhores momentos que vivi na minha mocidade e que hoje, graças à Oficina de Escrita Literária - N.E.T.I., valorizo e aprendo muito. Gosto de participar e de ocupar o pouco do tempo que tenho disponível, participando e crescendo culturalmente.
Além de admirar este grande autor de muitas músicas populares brasileiras. Curto também, seu jeito de escrever e narrar seus livros. Só tenho a agradecer.
Envolvimento das pessoas presentes com o tema da palestra
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X
Justificativa
Senti que toda a turma participou intensamente dialogando com o Professor. Foi um assunto muito bem elaborado e que agradou muito a todos que ali estavam presentes.
Relação do tema com as aulas de escrita literária
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
X
Justificativa
Muito importante. Estamos trabalhando sobre este assunto: 'Narrador' 'Autor' 'Escritor'.

Avaliadora 4
Escolha do Tema
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
x
Justificativa
Autor próximo ,e sem dúvida um grande nome da nossa literatura.
Envolvimento das pessoas presentes com o tema da palestra
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
x
Justificativa
As pessoas se sentiram encorajadas e as intervenções foram pertinentes com as aulas de escrita literária.
Excelente
Muito bom
Bom
Regular
x
Justificativa
Tudo a ver com quem gosta de escrever e quer aprender sobre construção da escrita narrativa em primeira pessoa com o requinte da inteligência e estilo.
Avaliadora 5: "foi bem interessante e o [Professor] Alberto foi muito bem em conduzir o seminário." [Professora Edna, responsável pela Oficina de Criação Literária, tu] "estas de parabéns em tê-lo chamado a nos dar mais esse aprendizado."

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Diário de Classe do Primeiro Semestre de 2014 da Oficina de Criação Literária do N.E.T.I. - Edna Domenica Merola

Crédito da foto: Edna Domenica Merola











Esse texto registra ações pedagógicas e sua interferência na prática da escrita dos alunos. Os adendos I e II  detalham duas ações pedagógicas efetuadas. O adendo III traz o instrumento de avaliação utilizado nas oficinas de Criação Literária do N.E.T.I. - no primeiro semestre de 2014. O adendo IV traz textos produzidos por grupos de alunos: Ligando Histórias; Rosas e Roserais de Outono; União e Ações: Gerando Mudanças; Para onde caminha a educação?; Aquecendo a Escrita no Solstício de Inverno; Coletânea Entre Grãs Sementes; Sobre o Outono. Foram produzidos 87 títulos em apenas 12 aulas pela pequena e ativa turma. Muito esforço foi realizado em casa ao fazer as tarefas propostas no curso. 
As estratégias de ensino das Oficinas de Criação Literária, em 2014.1, foram diversificadas: ouvir exposições e realizar tarefas de casa sobre elas; escrever textos individualmente após ouvir instruções na aula; escrever textos em grupo na sala de aula; comentar por escrito textos de colegas, fazer leitura silenciosa; leitura jogral, ouvir leitura e compartilhar a compreensão; criar pequena representação sobre leitura efetuada. Atividades orais dos alunos: a- Seminários: mito de Perséfone, biografia de personagem histórico, resenha e comentário de uma obra literária, exposições sobre foco narrativo. b- Apresentação do Jogral Olha o Pão de Maria. c- Leitura dos próprios textos em sala de aula. d- Diálogo com o professor Alberto Gonçalves, mestre em Literatura, que proferiu palestra sobre o livro O Leite Derramado, de Chico Buarque de Holanda.  Atividades escritas pelos alunos: produção de narrações.
As ações docentes foram voltadas para o ensino de técnicas de escrita de textos narrativos. As oficinas do semestre tiveram por meta explicitar que narrar é relatar acontecimentos e fatos percebidos como reais ou fictícios. É definir tempo e lugar ou descrever as circunstâncias que envolvem as ações conflitantes e sucessivas entre personagens. As interferências feitas pela professora focaram os itens:
‒ Estrutura Narrativa (apresentação, desenvolvimento, clímax, desfecho).
‒ Narrador: diferenciação entre autor e narrador; construção do narrador.
‒ Foco Narrativo: narrativa em primeira pessoa (personagem narrador), narrativa em terceira pessoa.
‒ Construção de Personagem pautado em personalidades da cultura brasileira da década de 60 do século XX. (Produção de conto).
‒ Construção de Personagem de Ficção utilizando ficha de RPG - jogos de representação de papeis.

Mapa dos instrumentos da escrita da narração (MEROLA, 2014)


ADENDO I - Estrutura Narrativa
Uma narração tem as seguintes partes: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.
‒ Apresentação: estabelece espaço e tempo.
‒ Desenvolvimento: é a complicação da estória.
‒ Clímax: é o auge da história ou o momento onde ocorre suspense e tensão.
‒ Desfecho: esclarecimentos finais sobre a introdução e o desenvolvimento.

Perceba as partes da estrutura narrativa do texto Bombeiro Valente de Cleusa Terezinha Ortiz:

(Apresentação)
O dia amanheceu cinzento, com muitas nuvens, anunciando um dia de chuva e muito trabalho.
O relógio cuco tocara 6horas... Amanhecera. Ouvi meu menino, agora homem feito, arrumando-se (mais uma vez) para ir para sua rotina no quartel, onde era bombeiro.
(Desenvolvimento)
Nasceu e se criou na linda ilha de Florianópolis, seu sonho desde menino era ser bombeiro; filho mais novo de seis irmãos.
Ele se chamava Jorge, nome que gostava, pois tinha fé que São Jorge sempre o protegia; era seu herói.
Sua esposa sempre o apoiava, e dava-lhe forças quando saía para sua missão: a de proteger e ajudar o próximo. Era muito comunicativo, gostava de ajudar, acalmar a dor daqueles que dele precisavam, estava sempre atento; com todos os sentidos aguçados para bem olhar para o seu semelhante.
Homem de muitos valores, senso de justiça, amor ao próximo, e ao que fazia; gostava muito de futebol. Seu time – o Corinthians – muito vezes o levava ao delírio: tamanha sua paixão!
Amava sua profissão, dela tinha orgulho. Quando em dificuldades rezava e pedia a São Jorge que o socorresse, pois tinha uma fé muito viva e forte.
Jorge também tinha poderes como: manusear armas com cuidado e precisão, após usá-las guardava-as com muito jeito, para não danificá-las. Seus equipamentos pessoais eram bem conservados.
(Clímax)
Naquele dia fatídico, Jorge enquanto esteve à frente do quartel procurou defender, auxiliar a comunidade; os colegas, e principalmente cumprir o que prometera no dia de sua formatura.
(Desfecho)

O relógio cuco tocara 6 horas... Mas escurecera. Nunca mais ouvi meu menino, agora homem feito, arrumando-se (outra vez) para ir para sua rotina no quartel, onde foi bombeiro.

ADENDO II - Fichas de RPG para a Construção de Personagem de Ficção. (MEROLA, 2014).
I- Rol de questões para a Criação do Personagem
1-Fase anterior a tornar-se super-herói
Local e data de nascimento.
Histórico familiar e afetivo.
Como se comunica?
Como se relaciona?
Quais são seus valores?
O que ama? O que o motiva?
Quais são seus ideais?
O que conquistou para si? .
O que fez para a comunidade?
Desempenha uma profissão? Qual?

2-Fase de super-herói
2.1- Atributos
Saúde:
Capacidade de percepção e acuidade dos sentidos da audição, da visão, do olfato e outras.
Capacidade de interagir com pessoas:
Capacidade de suportar pressões psicológicas:
Força:
Agilidade:
Inteligência:
Capacidade de superação de condições ambientais adversas:
Capacidade de domínio dos elementos água, terra, fogo e ar:
Ética.
2.2- Habilidades
Habilidade de negociar, de dialogar, de convencer:
Habilidade de abster-se (jejuar, meditar, etc.):
Destrezas: escalar, nadar, domesticar animais...
2.3- Talentos
Habilidade de locomoção e interação no ambiente:
Resistência às temperaturas baixas ou altas:
Bens materiais acumulados:
Quantidade e qualidade de aliados:
Bens espirituais acumulados:
Grande eficiência em algum tipo de perícia:
2.4- Posse e manuseio de equipamentos
Mapas, Anotações, armas, escudos, objetos raros ou mágicos; lanterna, tocha; água, comida, cordas, etc.:

REFERÊNCIA
MEROLA, Edna Domenica. De que são feitas as Histórias. Florianópolis: Postmix. 2014. PP 96-99.
MEROLA, Edna Domenica. Jogo de Imaginação & RPG (Role Playing Game) na Criação de Personagem de Ficção em Oficina para maiores de 60. Sábado, 7 de junho de 2014. Disponível em


ADENDO III- Instrumento de Avaliação
Para analisar a possível pertinência das ações do semestre foi usado questionário conforme segue:
RELEIA O TEXTO DO LINK  e assinale:
Frequência de produção de textos no semestre:
(  ) escrevo mais que a maioria
(  ) escrevo menos que a maioria
(  ) escrevo na média
2- Link para leitura:
(  ) Escrevi a história que foi pedida sem a ajuda da ficha de RPG
(  ) Não escrevi a história pedida, quando foi para usar a ficha
(  ) Escrevi a história após preencher a ficha e achei proveitoso
3- Link:
(  ) Gostei de receber meus textos diagramados, mas não sei colocar os demais no mesmo documento
(  ) Gostei de receber meus textos diagramados e sei colocar os demais no mesmo documento
(  ) Não gostei de receber meus textos diagramados
(  ) Não recebi meus textos diagramados
4- Link:
(  ) Tenho hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa
(  ) Ainda não criei hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa
( ) Sempre comparo o texto que enviei com o texto corrigido pela professora que é colocado no blog
(  ) Tenho hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa
(  ) Ainda não criei hábito de comparar o texto que enviei com o texto corrigido pela professora que é colocado no blog
5- Link:
Sobre a sequência de ideias na escrita de um texto:
(  ) Tenho muita dificuldade
(  ) Não tenho dificuldade nenhuma
(  ) Varia entre muito e médio conforme proposta da tarefa
(  ) Varia entre nenhuma e pouca, conforme proposta da tarefa

ADENDO IV- Rosas e Roserais de Outono

Minha Roseira. Cleusa Terezinha Ortiz Ribeiro

Creio eu, ser uma roseira bem cuidada, como aquela ali plantada debaixo de minha janela. Vejo-a todos os dias, viçosa, poucos espinhos e com raízes profundas que alimentam todas aquelas flores coloridas, tão coloridas que nos enchem os olhos de admiração e agradecimentos a Deus por sua presença tão próxima a mim. Suas folhas verdes brilhantes, seu tronco bem formado e forte o que a eleva cada dia a crescer ainda mais linda. Cada cor representa uma mudança em mim, procuro estar sempre viva para a vida, para meus amigos, para enfrentar o dia a dia; e poder cuidar dela até que as flores pereçam, mas a roseira fica ali, para na próxima estação eu cuidar dela novamente.

Eu me conheço? Eslavia  Hugentobler  ( Lalah )

O jardim é rico. Tem a riqueza das coisas criadas por DEUS e que são destinadas a fazer o bem aos que conseguem desfrutar verdadeiramente    do que há disponível. Existem plantas variadas, algumas produzem flores, outras não; essas outras dão sombra, ou apenas somam cores na paisagem preenchendo o ambiente onde existem. Crescem também roseiras, sou talvez uma delas, preferencialmente carregada de rosas amarelas, que podem passar por vários tons e, por vezes parecerem bem desbotadas. Em algum período as flores caem, mas sobram as folhas, que vão emprestando temporariamente, aspecto saudável à planta encobrindo seus espinhos e revelando no verde intenso uma base sólida em raiz bem nutrida e profunda. As folhas também mudam; pegam ferrugem e até secam e também caem, mas mesmo em tronco desnudo a roseira continua sendo roseira, e logo florescerá novamente.


Assim como Você. Sandra Lúcia (Salu)

Eu sou uma roseira que floresço rosas cor de rosa, assim como você.
Sou um tipo arbusto, com um tronco grosso e firme, onde as raizes procuram se agarrar bem ao solo, a fim de poder se firmar bem para aguentar o peso de todos os galhos com suas inúmeras folhas e seus lindos botões de rosas rosa que ou estão em flor ou florescerão.
Essa roseira fica no jardim da vida e esta à disposição de quem quer veêla sentir seu toque e também sentir seu delicioso perfume!
Adoro aroma de rosas!

As Rosas. Maria de Jesus Barreto da Fonseca.

Amo as rosas. Dentre todas as flores são as minhas preferidas. Já tive o privilégio de ter no jardim espécies de variadas cores. Quantas lições aprendi, com elas!
Algumas vezes, no fim do dia ficava a admirá-las e a refletir... Como me sentiria se fosse uma roseira? Primeiro teria de decidir: que tipo de roseira seria. Creio que seria uma trepadeira, dessas bem simples de variadas cores, que se espalham mansamente, cobrindo muros, casas, gazeios, etc.. Criando vivacidade e beleza em locais diversos, colorindo a paisagem. Mas, esse tipo de rosa requer a colaboração humana para prendê-la em suportes, telas, arcos ou de outras árvores para distribuir sua beleza. Com ajuda realiza o que parece ser seu objetivo: levar beleza onde esteja. Quando o vendo a faz dançar, as rosas parecem crianças sorrindo felizes. Em geral seu perfume é suave, discreto. Nada nela é ostentação. Apenas vive expressando a beleza que recebeu de Deus. Quando chove as gotas que nelas ficam parecem diamantes. Porém, como todas as roseiras precisam de sol para florir. Apesar de admirar todas as rosas, minha preferida é a Rosa Chá, cuja coloração rosa claro me encanta, todavia eu se fosse uma roseira, seria uma trepadeira. Por quê? Talvez por correr menor risco de ser cortada e levada para dentro de casa ou, poder olhar com admiração as outras rosas e flores, do alto em que fica; pode admirar a paisagem e observas os humanos, não sei ao certo. As trepadeiras, em geral pequenas em cachos e com coloridos diversos, recebem os primeiros raios de sol e a noite, podem olhar as estrelas antes de dormir. Amanhecem agradecendo o novo dia e dormem gratas pelo que viveram.

Uma roseira especial. Lourdes Thomé.

Eu vi uma roseira tão bela; alta, esbelta como só ela. As verdes folhas escondiam os espinhos que a protegiam. Ela estava coberta de botões, ainda a se transformarem em flor, contrastando com a plenitude das rosas abertas, num tom rosado, até matizado com branco. A sua imponência sobressaía sobre os canteiros do parque. Não sei por que ao contemplá-la considerei-a especial, entre tantas que naquele jardim afloravam. Pensei, talvez, ao fitá-la tenha concentrado minha atenção em sua duplicidade de cores. Aquela planta era peculiar, mas qual a razão de sua especialidade? Em reflexão, veio-me a resposta: o atributo particular fora eu quem lhe conferia, ao concentrar meu olhar em sua beleza. Aquela roseira era especialíssima na medida em que eu assim determinara e ao elegê-la a minha preferida, eu sintonizei com a sua presença.


Referências

LODGE, David. A Arte da Ficção. Trad. Bras. Porto Alegre: L& PM Pocket, 2011.

MEROLA, Edna Domenica. De que são feitas as Histórias. Florianópolis: Postmix, 2014.

____________________Inserção de personalidades da cultura brasileira na narrativa ficcional. Disponível em http://netiativo.blogspot.com/2014/05/insercao-de-personalidades-da-cultura.html
____________________Narrar pressupõe escolhas. Disponível em

sábado, 7 de junho de 2014

Jogo de Imaginação & RPG (Role Playing Game) na Criação de Personagem de Ficção em Oficina para maiores de 50. Edna Domenica Merola.

Um item importante para aprimorar a escrita da narrativa é a experimentação pormenorizada e consciente da criação de personagens. Ilustrarei com uma intervenção pedagógica que abarca aspectos de realidade e ficção, concomitantemente.
A Criação de personagem por fichas de RPG (role-playing game) pode ser útil para estimular a criação de histórias. Os vigilantes da moral podem ficar sossegados que não se trata de jogo de azar! O RPG usado na oficina de criação literária é do âmbito do teatro... Jogar papéis quer dizer brincar ou fazer de conta que é um personagem. Trata-se de uma intervenção pedagógica que abarca aspectos de realidade e ficção, concomitantemente. O RPG é, portanto, um jogo de interpretação de personagem aonde existe um desenvolvimento tanto do personagem como da história.
Para quê um Jogo de Imaginação & RPG (Role Playing Game) na Criação de Personagem de Ficção, numa oficina de maiores de 60 anos?
Há várias justificativas que perpassam pelo diálogo intergeracional, pela eficácia didática do uso do jogo para alunos de qualquer idade, pela adequação legal ao Estatuto do Idoso (no que diz respeito à atualização às novas tecnologias). No entanto, fico com duas explicações. A primeira é relativa à necessidade de associar pesquisa ou leitura de realidade com a ficção para inventar personagens. A segunda diz respeito ao fato de que alunos daquelas oficinas de criação literária olham para a possibilidade de escrever um conto como algo remoto, mas se arriscam em pequenos textos. Estes, se destituídos da inventividade na criação dos personagens (inclusive do narrador) redundam numa narrativa pobre. Portanto, um importante item que conduz à eficácia da narrativa é a invenção dos personagens.
Nas fichas que criei para oficinas de escrita criativa (MEROLA, 2014), a ficção foi incorporada ao jogo didático desde a proposta de criar um super-herói. No entanto, o problema que o super-herói deverá solucionar foi extraído da leitura da realidade. Além de itens inspirados nos tópicos recorrentes em fichas de jogos de representação de papéis (RPG) foram acrescentados quesitos para traçar o perfil do personagem antes de sua evolução para o âmbito de super-herói.

Alunos de oficinas de criação literária olham para a possibilidade de escrever um conto como algo remoto, mas se arriscam em pequenos textos. No entanto, um importante item que conduz à eficácia narrativa é a invenção dos personagens. Segue um jogo para você que gosta de escrever e quer aprimorar sua escrita:
"Imagine que você é um herói cheio de poderes. Imagine que você deve um favor a um anjo bom que quer que você pague sua dívida ao planeta Terra, ao invés de pagar diretamente a ele."
Questão para análise: "O que o anjo lhe pediu em relação a desenvolver hábitos pessoais relativos ao convívio entre amigos, vizinhos e familiares?"
Após responder à questão, monte as fichas do super-herói que tentará solucionar o problema apresentado. Inicie pelas características que o personagem apresentava antes de desenvolver as capacidades que, como super-herói, deverá deter. A seguir faça a caracterização do super-herói. Seguem sugestões para as duas fichas:
1-Fase anterior a tornar-se super-herói 
Local e data de nascimento.
Histórico familiar e afetivo.
Como se comunica?
Como se relaciona?
Quais são seus valores?
O que ama? O que o motiva?
Quais são seus ideais?
O que conquistou para si?
O que fez para a comunidade?
Desempenha uma profissão? Qual? 
2-Fase de super-herói
2.1- Atributos
Saúde.
Capacidade de percepção e acuidade dos sentidos da audição, da visão, do olfato e outras.
Capacidade de interagir com pessoas.
Capacidade de suportar pressões psicológicas.
Força.
Agilidade.
Inteligência.
Capacidade de superação de condições ambientais adversas.
Capacidade de domínio dos elementos: água, terra, fogo e ar.
Ética. 
2.2- Habilidades
Habilidade de negociar, de dialogar, de convencer.
Habilidade de abster-se (jejuar, meditar, etc.).
Destrezas: escalar, nadar, domesticar animais,...

2.3- Talentos
Habilidade de locomoção e interação no ambiente.
Resistência às temperaturas baixas ou altas.
Bens materiais acumulados.
Quantidade e qualidade de aliados.
Bens espirituais acumulados.
Grande eficiência em algum tipo de perícia.

2.4- Posse e manuseio de equipamentos
Mapas, Anotações, armas, escudos, objetos raros ou mágicos; lanterna, tocha; água, comida, cordas, etc.

Em seguida, escreva uma história que começa pelo encontro entre dois personagens de ficção: um super-herói e um anjo. Invente um diálogo no qual os personagens debatem o problema a ser solucionado, propondo formas de usar os potenciais para desencadear ações que levem a alcançar as metas estabelecidas.

Referência.

MEROLA, Edna Domenica. De que são feitas as Histórias? Florianópolis: Postmix. P. 97-99.




terça-feira, 27 de maio de 2014

Recursos Digitais na Escrita: Processo e Produto. Edna Domenica Merola.

Relendo o texto que postei em Blog: Aquece a Escrita, Postagem: Aulas e Flashes. Por Edna Domenica Merola. Link:
  http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2013/05/aulas-e-flashes-por-edna-domenica-merola.html   pude ler:

‒ A união de textos escritos em momentos diferentes depende de reescrita do argumento inicial da própria narrativa ('a entrada' que aponta para algo).
‒ O título geral de um trabalho tem de ser voltado para seu foco.
‒ A colocação de uma epígrafe (ou citação) pode diminuir a clareza do texto se não for colocada em diálogo com o título e com o foco do conteúdo narrado.
‒ O processo intuitivo de escrita dá mais trabalho em sua composição. Mas depois de reescrito percebe-se a beleza não só de seu produto, mas de todo o processo.
No primeiro semestre de 2014, nos trabalhos da Oficina de Criação Literária do N.E.T.I., um objetivo relevante é que a aluna escreva textos narrativos mais longos e mais elaborados.
Uma das alternativas para alcançar essa finalidade é revisitar seus textos antigos. Algumas pessoas escrevem em locais digitais, mas não têm cópia arquivada de seus pequenos textos. Pensando em facilitar o processo de coletar enviei uma 'pasta' em formato de livreto para os alunos, com a sugestão de deixar a pasta reservada para colocar seus textos futuros.
Outro objetivo importante no curso que ofereço é o incentivo ao treino da digitação a fazer como tarefa de casa, conforme segue:
1- As tarefas devem ser enviadas em documento enviado ‘em anexo’ e não no corpo do e-mail, pois desconfigura e a professora recebe 'fora dos padrões combinados'.
2- Para enviar texto para a editora do blog Netiativo foi convencionado usar no documento: time news roman, tamanho 14, espaço simples, justificado, layout  A 4.
3- Para a pasta de textos 'documento word' usar: time news roman, tamanho 11, espaço simples, justificado; layout livreto (tamanho A5).  

Relendo o texto REESCRITA: O USO DA NORMA CULTA que postei em 28/05/2013, em Blog: Aquece a Escrita. Postagem: REESCRITA: O USO DA NORMA CULTA. Por Edna Domenica Merola. Link:
  http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2013/05/reescrita-de-texto-de-propria-autoria.html

pude reler: Reescrita de textos digitados no “Word”:
a- Após digitar seu texto é interessante selecionar todo o conteúdo e clicar em layout da página para verificar: orientação= retrato; margens= normal; cores= automático;
b- Clicar em revisão e optar por ortografia e gramática; c- Quando a revisão gerar dúvidas= ir para o google e digitar um nome de dicionário “on line” (Por exemplo: Dicionário Priberam); d- No dicionário digite cada palavra (dúvida em ortografia). Para palavras compostas: tente escrevê-las juntas, se o dicionário não reconhecer, vá para uma fonte geral de pesquisa (o Google, por exemplo) e escreva as 2 palavras separadamente; e- Há pares de palavras que têm a mesma pronúncia. Ex.1: taxa ($) e tacha (cujo diminutivo é tachinha e serve para 'pregar' alguma coisa em algum lugar). Ex. 2: Hesitar e exitar - hesitar é a forma correta quando o verbo significa: demonstrar dúvida; não estar ou não se mostrar seguro; duvidar; vacilar; gaguejar; titubear. Já exitar é o mesmo que ter bom êxito, bom sucesso, resultado satisfatório. Essas palavras são boas para consultar seu significado no dicionário, sempre que forem usadas. f- Uso de verbos + pronomes oblíquos. Ex.: Dê-me o caderno. No "Word", clique em iniciar (no alto à esquerda), depois selecione localizar (no alto à direita) e escreva “me”. O pronome será localizado em seu texto quantas vezes tiver sido usado. Pesquise a regra, usando o Google para consultar gramática e o item “Colocação Pronominal”, corrigindo a colocação feita em seu texto.
g - Rever o uso de crase, usando procedimento análogo ao descrito anteriormente. 
Perante as releituras citadas, concluo que os recursos digitais são aliados da construção processual da escrita criativa uma vez que facilitam a organização do autor, pelo registro acessível ao seu produto, ou seja, ao texto escrito. Tais recursos são elementos que promovem a emancipação do autor pela reflexão sobre sua própria produção , expandindo-a quantitativa e qualitativamente e valorizando seu próprio trabalho.
No entanto, o que valoriza definitivamente o trabalho da escrita é a reflexão constante.
Relendo em http://netiativo.blogspot.com/2013/04/entrevistas-netiativas-por-amaridis.html  as respostas que dei às perguntas de uma entrevista: –“Você escreve sob inspiração?” e “O que diz sobre o livre fluxo da inspiração” – reli:
“Escrevo sob inspiração e sob instigação. Há vezes que essas coisas se confundem durante o processo e dou graças a Deus. Em poesia a primeira versão é sempre muito perto do que julgo pronto. A prosa precisa de maiores revisões, na minha prática.
Escrevo, preferencialmente, em locais onde esteja protegida de interferências, mas ocorre de ser em locais quaisquer... Talvez isso se assemelhe a ter inspiração (internalizar o que se capta de fora)... Mas além de inspiração a escrita tem a retenção do ar (fôlego usado na elaboração e lapidação da palavra), tem a expiração, tem a troca de ares, tem o ritmo respiratório do momento do autor em seu texto. Hoje [29/4/2013] eu pensei que talvez possa usar a palavra vocação, em substituição a inspiração.”
E o que posso acrescentar hoje (28/5/2014) é: “Se você se sente chamado (a), escreva”.