segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Trem das Onze. Wilma Coral Mendes de Lima.

Não posso ficar                                                              
                                            
Com você
Nem mais um minuto
O trem vai passar. Já!
É rápido, muito rápido.
Passa pelos campos
E eles se transformam
Em verdes borrões
As montanhas num difuso azul
As crianças em pequeninas sombras
Os pássaros, as flores
Em quase nada
E eu... no trem
Vendo a vida que passa, assim
Rápida, implacável
Não sou filha única
XV SEPEX. 21/10/2016
Sou única
Visível... invisível
Previsível... imprevisível
Inteira... Dividida
Não posso ficar
Com você                                                                         
Nem mais um minuto
Se eu perder esse trem
Que passa agora
Às onze horas
Só amanhã de manhã
Se houver manhã
Se houver amanhã
Tenho tanto para contar
Tantos olhos para olhar
Tantas músicas para ouvir                                 
Vida para dividir
Flores para plantar
Pego o trem?
Fico com você?
Que se dane!

Vou a pé!

Quarta-feira, 24 de setembro de 2014.
É PRIMAVERA.

Fui procurar a Primavera
No Planalto distante
Encontrei os imensos gramados
Tristes a me olhar
De boca aberta
Implorando por uma gota
De chuva...tardia chuva
O ipê amarelo, o branco
De luto
A sapucaia, antes faceira
Sem o seu vestido vermelho
Mas o céu estava lá
Límpido, azul, festivo
O horizonte infinito
Então fechei os olhos
E revivi outras Primaveras
Da juventude, dos sonhos
Do amor vivido
Das esperanças compartilhadas
Dos dias de muita labuta
E aqueles de muita festa
De muitas flores
De muita preguiça
Vi minha menina
Vestida de bailarina
Rodopiando...feliz
A Primavera era ela
Tinha uma rosa na mão
(Como na canção)
Para me dar
Meu menino correndo
Pelos gramados verdes
Com seu cabelinho ao vento
Procurando chegar
Na beirada da terra
Sem  montanhas
Lá longe, se chegar lá
Dá para  ver o abismo
E voar para o infinito
E a chuva caindo
Sem parar
Alimentando a terra
A grama, a flor
Colorindo os ipês, as sapucaias
Colorindo a vida
Uma Primavera de lembranças
Que guardo na alma

Comentário por Edna Domenica Merola

O fio do tempo no poema é dirigido pelo olhar. Primeiro desloca a leitor da cidade onde se encontra para o Planalto. Do Planalto imaginado (e pautado na própria experiência da leitora) os versos vão causando cada vez mais a impressão de participar da cena reconstruída pela memória da poetisa. E a leitora pode compartilhar enfim da presentificação e sentir-se a mãe que acompanha ou a criança que corre em busca da linha do horizonte. Fica o pedido à poetisa: quero ouvi-la declamar seu poema.


Terça-feira, 9 de setembro de 2014.
Cor de Rosa Choque
                                             
Acho que o rosa choque no poema de Rita Lee simboliza o feminino, a nova mulher. Não a mulher passiva “rosa bebê”, a cor que sempre a simbolizou.
Menino é azul, menina é cor de rosa.
Rosa clarinho, quietinho, comportado, submisso, quase imperceptível... Foi (ainda é?) desde o “enxovalzinho” preparado antes da criança nascer.
Aqui, porém, o rosa é choque, um novo tom, forte, irreverente, difícil de não ser notado, respeitado. A mulher continua rosa, não nega sua condição feminina, sua doçura, sua suavidade, (o poema poderia ter lhe atribuído outra cor, não o fez) mas o rosa é choque, fácil de iluminar os novos caminhos, de mostrar como enfrentar a cotidiana luta.
Provoque sim e se deixe provocar. A provocação é salutar. Ela nos empurra para o novo, para fugir da mesmice, da letargia. Sexo frágil (frágil?) não foge à luta. É cor de rosa choque.


Cor De Rosa Choque. Rita Lee

Nas duas faces de Eva
A bela e a fera
Um certo sorriso de quem nada quer
Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama vive a mulher
Por isso não provoque
É cor de rosa choque
Não provoque
É cor de rosa choque
Não provoque
É cor de rosa choque
Por isso não provoque
É cor de rosa choque
Mulher é bicho esquisito
Todo o mês sangra
Um sexto sentido maior que a razão
Gata borralheira
Você é princesa
Dondoca é uma espécie em extinção
Por isso não provoque
É cor de rosa choque
Não provoque
É cor de rosa choque
Não provoque
É cor de rosa choque
Por isso não provoque
É cor de rosa choque
Não provoque

Quarta-feira, 24 de setembro de 2014
A Primavera (acróstico)

Amo os dias

Pintados de cores vivas
Renasce o mundo
Intensamente
Mares mais azuis
Auroras mais brilhantes
Verdes gramados
Em tardes de Primavera
Reinvento a vida
Amo com mais amor.

Domingo, 16 de novembro de 2014.
Elis.

Hoje vi
Uma revoada de pássaros
Imaginei Elis
No meio deles
Batendo os braços
Qual asas
Voando feliz
Para a imensidão
Do céu azul
Cantando com os pássaros
Na ânsia
De atingir o infinito
Rompendo barreiras
Até encontrar
Um lugar
Onde a liberdade
Realmente existe
Os pássaros
Vão voltar
Eles sempre voltam
Elis não
Porque descobriu
O mundo invisível
Do lado de lá
Sem hipocrisias
Sem medos
Ou escuridão
Sem a dor cruel
Da solidão
Cantando o amor
Tão difícil aqui
Cantando o encontro
Após tantos desencontros
Cantando outra vida
Eterna...serena
Esquecendo a dor
Que deixou para trás
Para nós a saudade
Para ela

Luz... muita luz!

Sábado, 27 de setembro de 2014.

Resposta à "Vingança"
(Réplica a Lupicínio Rodrigues)

Sou a mulher
Que seus amigos encontraram
Na mesa de um bar
Sim, eu bebia!
Bebida geladinha, gostosa
Era num cair de tarde
Quente, muito quente
Celebrava a vida
Minha liberdade
A dor superada
Da separação
O encontro com a mulher (eu)
Em construção
O que eles lhe contaram
Foi para lhe agradar
Para fazer você sorrir
Menino triste
Que esqueceu de crescer
Perguntaram por você
É verdade!
Não é verdade o meu soluço
Passou sim pelos meus olhos
Uma nuvem de tristeza
Pelo que poderia ter sido
E não foi
Pelos anseios frustrados
Pelas esperanças despedaçadas
Pela solidão a dois
Não tenho remorso
Tentei...e tentei...
Nem desespero
O dia nasce a cada manhã
Também o amor
Que há de acontecer
De novo
Não respondo à vingança
Com vingança
Vingança é um sentimento vil
Irmã gêmea do ódio
Da frustração
Da infelicidade
Fere a quem quer ferir
Desejo a você a felicidade
Da maturidade
Da doçura
Posso rolar qual as pedras
Elas  não tem arestas
Como eu
Rolar na estrada
É melhor que a estagnação
Vou sair do caminho
Estreito...sempre igual
Descer cantando a ribanceira
Cair na água fresca do rio
Depois alcançar o mar
Lá longe encontrar o meu cantinho
E alguém para compartilhar
Beijar a boca... lavar a roupa
De dia, de noite
Num mesmo cenário
De amor
De paixão
De companheirismo
E de ternura
Vingança? Pra quê?


Notas da Editora do Blog Netiativo
Resposta a "Vingança" foi escrita por Wilma em setembro de 2014. Vingança faz parte de LP lançado em 1974 com as obras originais de Lupicínio Rodrigues. O texto de Wilma é uma réplica (com voz feminina), ainda que o compositor da primeira (voz masculina) não seja contemporâneo dela. Isto quer dizer que é uma réplica ou diálogo que de gênero (que ainda persiste).


Vingança.
             Lupicínio Rodrigues

Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que ihe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.

Eu gostei tanto,
Tanto, quando me contaram
Que tive mesmo de fazer esforço
Prá ninguém notar.

O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Ela deve estar bem consciente
Do que praticou,
Me fazer passar tanta vergonha
Com um companheiro
E a vergonha
É a herança maior que meu pai me deixou;

Mas, enquanto houver força em meu peito
Eu não quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança
Aos santos clamar

Ela há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Música & Poesia. Edna Domenica Merola.

O presente texto tem por intenção relatar duas aulas do curso Oficinas de Audição de Música Popular e Criação Poética, 2014.2, ministradas pelos professores Alberto Gonçalves e Edna Domenica Merola, no N.E.T.I.
A aula de 21/8/2014 teve por objetivo a apresentação dos alunos por meio de suas escolhas musicais. O foco foi a primeira questão do inventário aplicado anteriormente à primeira aula (enviado e respondido via e-mail), a saber, as memórias musicais sobre a cidade natal. Em sequência, foi aplicado o exercício de imaginação dirigida “Nascimento”. Feito isso, passou-se à etapa de produção de textos. Houve a apresentação dos textos por seus autores por leitura em voz alta.
A aula de 28/8/2014 teve por objetivo apresentar o que é um curso formatado em oficinas. Isso foi elucidado pela apresentação de trabalho acadêmico do professor Alberto Gonçalves e de performance por Edna Domenica Merola de texto de sua autoria (MEROLA, 2014). 
O ensino de poesia, assim como da audição musical deverá recorrer a vivências e experimentações. Dessa forma, poderá ser formatado em oficinas que conjuguem aquelas vivências com a prática de audiência e de escrita.

Uma oficina tem por foco a reflexão sobre a própria prática educativa do participante, o que pressupõe que ele esteja desempenhando o papel em pauta e se disponha a realizar as propostas apresentadas pelos ministrantes e compartilhar com colegas os seus resultados.

A oficina literária é o espaço onde são oferecidas atividades práticas de criação pela palavra escrita, proporcionando novos conhecimentos e vivências. Os textos dos participantes de oficinas literárias devem ser lidos pelo maior número de pessoas que os recursos disponíveis permitirem. Nesse sentido, manter um blog pode ser uma ação inicial valiosa. 
O uso da Internet além de facultar a divulgação das produções docentes e discentes, acrescenta recursos para a pesquisa de acervo musical propiciando um treino interessante da memória imediata e re-significação das histórias de vida.

O professor Alberto Gonçalves apresentou material em vídeo de sua participação no projeto Através do Samba. Como complementação envia aqui, links de trabalhos sobre Lupicínio Rodrigues, de Márcia Ramos de Oliveira, professora da U.D.E.S. C  (cujo campus é em Florianópolis) e coordenadora do projeto Através do Samba: Dissertação: Lupicínio Rodrigues: a cidade, a música, os amigos. Tese: Uma leitura histórica da produção musical do compositor Lupicínio Rodrigues.

Ainda na aula de 28/8/2014, a professora Edna apresentou três produções e seu processo de criação.

1ª. Criação de um poema tendo por mote um verso de letra de música (refrão, título ou verso destacado na memória popular). Ex.: o título do hino ao samba de Edson Gomes da Conceição foi tomado por Epígrafe: “Não deixe o samba morrer” (MEROLA, 2014. PP 32).
2ª. Colagem quebra-cabeça: citação de diversos trechos melódicos sob a forma de versos em paródia. Apresenta o rol de autores das melodias utilizadas na ‘composição da colagem parodiada’ para propor o exercício de reconhecimento do material auditivo elencado, ou seja, dos segmentos melódicos de diversas músicas de diversos compositores e gêneros. A leitura do poema dá pistas apenas para identificar algumas dessas composições. As demais deverão ser identificadas pelas citações melódicas implícitas nas palavras. (MEROLA, 2014. PP 33-34)

 3ª. Apresentação de performance de texto vide link no Blog: NETIATIVO
Postagem: O Compositor me disse pra reunir nossas lembranças dele. Edna Domenica Merola. Link: http://netiativo.blogspot.com/2014/08/o-compositor-me-disse-pra-reunir-nossas.html
Ivan Bach (participante da oficina, dramaturgo, ator e diretor) comentou: "Lindo trabalho o seu, instiga nossa atenção para a diversidade dos temas dos compositores. Melhor ainda foi tua declamação, onde gostaria de destacar o sentimento da declamadora  e as nuances de entonação, dando um sentido lúdico ao texto. E ainda a expressão corporal que ilustrou de maneira incrível o brilhantismo do texto."
Ivan nos brindou com sua produção sobre os temas dessa aula escrevendo sobre o mote: "Apesar de você".Vide no link:
Referências

OLIVEIRA, M. e outros. Projeto Através do Samba. Disponível em
OLIVEIRA, Márcia Ramos. Lupicínio Rodrigues: a cidade, a música, os amigos. Dissertação de Mestrado. Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/95054
_________________ Uma leitura histórica da produção musical do compositor Lupicínio Rodrigues. Tese de Doutorado. Disponível em 
http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/96270

MEROLA, Edna Domenica. De que são feitas as Histórias. Postmix: Florianópolis. 2014.

Links relacionados
Sobre a participação  do Prof Alberto Gonçalves nas Oficinas de Criação Literária do NETI, vide o link: http://netiativo.blogspot.com.br/2016/05/memoria-e-musica-aula-do-prof-alberto.html

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Compositor me disse pra reunir nossas lembranças dele. Edna Domenica Merola.

Alunos das oficinas de Audição de Música Popular e Criação Poética 2014.2
 responderam a um questionário sobre seus interesses em torno da canção brasileira. Enviaram a seus professores Alberto Gonçalves e para mim. Nossa dupla docente utilizará seus dados no planejamento do curso dado no N.E.T.I. 
Mas não resisti à tentação de me exercitar na escrita de uma colagem. Fiz um recorte de fatos e sentimentos pessoais que permeiam as letras das músicas que constam do inventário de interesse dos alunos da nossa dupla de professores.

O compositor me disse que eu cantasse distraidamente/Essa canção/ Que eu cantasse como se o vento soprasse pela boca/ Vindo do pulmão/E que eu ficasse ao lado pra escutar o vento jogando as palavras/Pelo ar/
Não quero lhe falar/ Das coisas que aprendi/Nos discos/Quero lhe contar como eu vivi/E tudo o que aconteceu comigo/ Viver é melhor que sonhar/Mas também sei/Que qualquer canto/É menor do que a vida/De qualquer pessoa.
E a vida da infância dá saudade... Ah! A infância! La poésie chantait dans l'air/ J'avais une maison de poupée.
Eu daria tudo que eu tivesse/Pra voltar aos dias de criança/Eu não sei pra que que a gente cresce/Se não sai da gente essa lembrança/Eu igual a toda meninada/Quanta travessura que eu fazia/Eu era feliz e não sabia/Que saudade da... minha cidade.
Minha terra tem Palmeiras... Onde canta o sabiá...
Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho/
Sabiá que saudade.../Volte logo pra cá./ Sabiá que saudade.../Quero ouvir teu cantar.
Minha terra  tem Palmeiras... Minha terra tem Corinthias, minha terra  tem São Paulo...
Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina...
Alguma coisa acontece no meu coração/Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João/Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto/Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto/É que Narciso acha feio o que não é espelho/E foste um difícil começo/Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso/Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas/Da força da grana que ergue e destrói coisas belas/Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas/Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços/Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva...
Deuses que se tornaram estéreis nesse inverno de 2014... Deuses a quem o povo clama e grita assim: – Água! Água!Planeta Água.
Água que nasce na fonte serena do mundo/Água que faz inocente riacho/Águas que banham aldeias/E matam a sede da população/Águas que movem moinhos/São as mesmas águas que encharcam o chão/E sempre voltam humildes/Pro fundo da terra/Terra! Planeta Água.
Em Sampa a falta d´água...
É a dose mais forte e lenta/De uma gente que ri/Quando deve chorar/E não vive, apenas aguenta./Mas é preciso ter força/É preciso ter raça/É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca/Mistura a dor e a alegria/
Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha mania/De ter fé na vida/Mas é preciso ter manha/É preciso ter graça/É preciso ter sonho sempre/
Um sonho meu:a lua brilhava vaidosa/ De si orgulhosa e prosa com que deus lhe deu... /Senti o canto da noite/Na boca do vento/Fazer a dança das flores/No meu pensamento/Trazer a pureza de um samba/Um samba que mexe o corpo da gente/
E o vento vadio embalando a flor/Ao ver a morena sambando/ Foi se acabrunhando.../ Quem samba na beira do mar é sereia...
Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha mania/De ter fé na vida
Com fé eu vou em frente...Com fé eu ando...
Ando devagar/Porque já tive pressa/E levo esse sorriso/Porque já chorei demais/Hoje me sinto mais forte/Mais feliz, quem sabe/Só levo a certeza/De que muito pouco sei/Ou nada sei/Penso que cumprir a vida/Seja simplesmente/Compreender a marcha/E ir tocando em frente/Cada um de nós compõe a sua história/Cada ser em si/Carrega o dom de ser capaz/E ser feliz/Eu vou tocando os dias/Pela longa estrada, eu vou/Estrada eu sou
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar/Vamos todos numa linda passarela/De uma aquarela que Descolorirá/
Depois da banda passar cantando coisas de amor/ Eu sou nuvem passageira/Que com o vento se vai/Eu sou como um cristal bonito/Que se quebra quando cai/A lua cheia convida para um longo beijo/Mas o relógio te cobra o dia de amanhã/Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva/Sou um castelo de areia na beira do mar.
Coração Poeta!...Deus me deu um coração poeta/E a alma inquieta de um cantor/Pra que eu vigiasse a madrugada/Acordasse o sol e o Beija-Flor/Cantar me faz viver bem mais/Soltar a voz que nem um passarinho/Que ninguém prenderá jamais
Quando eu for embora para bem distante/E chegar a hora de dizer adeus,/Fica nos meus braços só mais um instante;/Dentro do meu coração.

O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento/Sem ligar/Pras coisas que ele quis dizer/Que eu não pensasse em mim nem em você/Que eu cantasse distraidamente como bate o coração/E que eu parasse aqui/Assim.

Referências

DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio.

ADENDO

Composição
Cantor/ Compositor
O compositor me disse
G. Gil. Elis Regina
Como nossos pais
Elis Regina
F Comme Femme

Salvatore Adamo
Tempos de Criança
Ataulfo alves
Sabiá lá na gaiola voou
Carmélia Alves
Sampa
Caetano Veloso
Guilherme Arantes
Maria Maria
Milton Nascimento.
Elis Regina

Sonho Meu
Maria Betânia
O Mar Serenou
Clara Nunes
Tocando em frente
Renato Teixeira.
Almir Sater
Aquarela
Toquinho
Chico Buarque
Nuvem Passageira
Hermes Aquino
Coração Poeta
Paulinho Tapajós, Chico
Inhana e Cascatinha

terça-feira, 24 de junho de 2014

Interferências X Práticas de Escrita Narrativa. Edna Domenica Merola.

O objetivo deste texto é explicitar como se dá a avaliação dos trabalhos de oficinas que diferem, por princípios e fundamentos, da avaliação de um curso seriado como o do Ensino Médio, por exemplo. No semestre 2014.1, o planejamento da Oficina de Criação Literária do NE.T.I. foi assim esboçado:


Considerando que:
1- As ações realizadas foram voltadas para o ensino da escrita de textos narrativos;
2- Narrar é relatar acontecimentos e fatos reais ou fictícios. É descrever as circunstâncias (tempo e lugar definidos) que envolvem as ações conflitantes e sucessivas entre: personagens X personagens;
3- A organização narrativa compreende uma apresentação (estabelece espaço e tempo), um desenvolvimento (é a complicação da história), um clímax (auge da história ou o momento onde ocorre tensão); finalizando pelo desfecho (esclarecimentos sobre a introdução e o desenvolvimento);
4- É necessário avaliar as interferências processuais realizadas tomando-se por instrumentos também algum produto 'material'. Para avaliar a aprendizagem as interferências docentes sobre o uso da estrutura narrativa foi feito o sorteio de uma redação que pode ser lida ao acessar o link:
Por esses parâmetros e amostra, os conteúdos citados foram plenamente apreendidos.
5- É necessário justificar os objetivos atitudinais, ou seja, explicitar porque os alunos são incentivados a desenvolver determinados hábitos perante a aprendizagem. As Oficinas de Criação Literária tiveram por rotinas: digitação pelos alunos dos próprios textos produzidos; envio do texto digitado para o e-mail da professora que o corrigia e postava no blog NETIATIVO; os alunos deveriam comparar o material postado (corrigido) com sua produção enviada. 
A adoção desse instrumento de trabalho acadêmico teve por justificativa: Lei Número 10741/2003 – Estatuto do Idoso – em seu capítulo V do título II (Direitos Fundamentais). Nessa parte do texto legal sobre os direitos à Educação e Cultura,  o universo vocabular se refere a cursos para idosos, usando as expressões: “técnicas de comunicação”, “computação”, “avanços tecnológicos”. 
Outrossim, um curso para idosos deverá ter por meta a instalação de novos hábitos a saber:  uso do dicionário e da gramática (de preferência consultar on line); reconhecer os itens necessários para publicações convencionais (ficha catalográfica, diagramação das páginas iniciais de livro), produzir e expor textos com frequência em meios digitais.
A avaliação relativa aos hábitos foi aferida após aplicação de um pequeno questionário:
1- Link para leitura : http://netiativo.blogspot.com/2014/06/diario-de-classe-do-primeiro-semestre.html
Frequência de produção de textos no semestre:
( ) escrevo mais que a maioria
( ) escrevo menos que a maioria
( ) escrevo na média
2- Link para leitura:
( ) Escrevi a história que foi pedida sem a ajuda da ficha de RPG
( ) Não escrevi a história pedida, quando foi para usar a ficha
( ) Escrevi a história após preencher a ficha e achei proveitoso
3- Link:
( )Gostei de receber meus textos diagramados, mas não sei colocar os demais no mesmo documento
( )Gostei de receber meus textos diagramados e sei colocar os demais no mesmo documento
( )Não gostei de receber meus textos diagramados
( )Não recebi meus textos diagramados
4- Link:
( ) Tenho hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa
( ) Ainda não criei hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa
( ) Sempre comparo o texto que enviei com o texto corrigido pela professora que é colocado no blog
( ) Tenho hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa
( ) Ainda não criei hábito de compar o texto que enviei com o texto corrigido pela professora que é colocado no blog
5- Link:
Sobre a sequência de ideias na escrita de um texto:
( ) Tenho muita dificuldade
( ) Não tenho dificuldade nenhuma
( ) Varia entre muito e médio conforme proposta da tarefa
( ) Varia entre nenhuma e pouca, conforme proposta da tarefa

Avaliador(a) 1 respondeu que escreve menor quantidade de textos do que a maioria. Utilizou as fichas de RPG para escrever história posteriormente. Gostou de receber seus textos diagramados, mas não aprendeu a colocar os demais no mesmo documento. Não soube salvar na memória de seu computador e perdeu o material, recebendo novamente com explicação para salvá-lo em pen drive. Tem hábito de consultar o dicionário, mas não a gramática. Costuma comparar o texto corrigido pela professora que é colocado no blog. Diz que “ao ser corrigido pela professora fica demais”. Apresenta dificuldade quanto à sequência de ideias na escrita de um texto.

Avaliador(a) 2 respondeu que escreveu menos que a maioria. Não fez a tarefa sobre as fichas de RPG.
Aprendeu a colocar os textos novos no livreto modelo diagramado pela professora. Ainda não criou hábito de comparar os textos que envia com o texto corrigido pela professora e que é colocado no blog. Tem hábito de consultar dicionário e gramática após escrever os textos. Conforme a proposta da tarefa, apresenta pouca ou nenhuma dificuldade quanto à organização da sequência de ideias na escrita de um texto.

Avaliador(a) 3 respondeu que escreve menos que a maioria. Escreveu a história após preencher a ficha e achou proveitoso. Gostou de receber seus textos diagramados, mas não aprendeu a colocar os demais no mesmo documento. Ainda não criou hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa. Ainda não criou hábito de comparar seu texto original com o texto corrigido pela professora que é colocado no blog.
Conforme a proposta da tarefa, apresenta média ou muita dificuldade quanto à organização da sequência de ideias na escrita de um texto.

Avaliador(a) 4 respondeu que escreveu na média da turma. Não fez a tarefa pedida, quando foi para usar as fichas de RPG. Gostou de receber seus textos diagramados, mas não aprendeu a colocar os demais no mesmo documento. Não possui hábito de consultar o dicionário e gramática após redigir um texto. Sempre compara o texto que envia com o texto corrigido pela professora e que é colocado no blog. Não apresenta nenhuma dificuldade quanto à sequência de ideias na escrita de um texto.

Avaliador(a) 5 respondeu que escreve em quantidade média. Utilizou as fichas de RPG para redigir uma história. Gostou de receber seus textos diagramados, mas não sabe colocar os demais no mesmo documento. Tem hábito de consultar dicionário e gramática após escrever textos. Não apresenta nenhuma dificuldade quanto à sequência de ideias na escrita de um texto.

Avaliador(a) 6 respondeu que escreve na média, não se beneficiou da ficha de RPG, gostou de receber textos diagramados, mas não aprendeu a colocar os demais no mesmo documento. Não tem hábito de consultar dicionário e gramática e nem de comparar o texto corrigido pela professora com seu original. Conforme a proposta da tarefa, apresenta pouca ou nenhuma dificuldade quanto à organização da sequência de ideias na escrita de um texto.

Avaliador(a) 7 respondeu que escreve na média. Não utilizou as fichas de RPG para escrever uma história. Ainda não desenvolveu hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa e nem de comparar com o texto corrigido pela professora e que é colocado no blog. Conforme a proposta da tarefa, apresenta pouca ou nenhuma dificuldade quanto à organização da sequência de ideias na escrita de um texto. 

Avaliador(a) 8 respondeu que escreve menos que a maioria. Não fez a tarefa sobre as fichas de RPG. Gostou de receber textos diagramados, mas não conseguiu colocar os textos posteriores no mesmo documento. Tem hábito de consultar dicionário e gramática após escrever a tarefa de casa. Sempre compara o texto que envia com o texto corrigido pela professora (que é colocado no blog). Conforme a proposta da tarefa, apresenta pouca ou nenhuma dificuldade quanto à organização da sequência de ideias na escrita de um texto.

SÍNTESE
Quanto à frequência de produção de textos no semestre, houve um viés grande de respostas ao comparar com o número efetivo de textos produzidos, com tendência a subestimar a quantidade realmente produzida. Infere-se que será necessário trabalhar mais as ações realizadas após a escrita em seus significados práticos e existenciais.
O uso de fichas de R.P.G. para criar ficção em literatura foi útil no preparo que antecede a escrita organizada do texto para 60 % dos autores da tarefa. 
Um livreto personalizado (produção de cada aluno) foi diagramado e oferecido pela professora aos alunos de sua turma. Foi bem aceito: 100 % dos alunos avaliadores responderam que gostaram de receber seus textos diagramados pela professora como modelo. Mas 87,5 % não soube incluir textos escritos posteriormente no mesmo documento do word recebido. Portanto, a resposta para uma atividade docente de preparo demorado não surtiu o efeito didático proporcional esperado.
A preocupação com aspectos da escrita normativa é rebaixada, provavelmente devido aos hábitos do uso de dicionários e gramáticas não estarem devidamente implantados na clientela, até o momento. Outro hábito ainda não praticado é o da conferência após a publicação no blog. (Deve ser imediata e praticada pelo próprio autor responsável legal por tudo aquilo que escreve, principalmente quando se tratar de fatos que o escritor entende como verídicos).
Portanto, sob os critérios aferidos via questionário, a maioria dos alunos  apresenta baixa ou nenhuma dificuldade para organizar a sequência de ideias para a escrita de um texto. Infere-se que a realização das várias tarefas propostas constituiu um treino eficaz para rememorar aprendizagens e até concretizar alguns ganhos.
No entanto, os itens relativos à formação de novos hábitos tais como consulta a dicionário e gramática (de preferência on line) deverão ainda ser adquiridos em ações futuras voltadas para desenvolver a autonomia da escrita.


Fontes:

BUZAN, Tony. Mapas Mentais e sua Elaboração. São Paulo: Cultrix, 2005.

LODGE, David. A Arte da Ficção. Trad. Bras. Porto Alegre: L& PM Pocket, 2011.

MEROLA, Edna Domenica. De que são feitas as Histórias. Florianópolis: Postmix. 2014. PP 96-99.
_____________________ http://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2014/06/criacao-de-personagens-e-rpg-edna.html

MORENO, J.L. Psicodrama. 2 ed, São Paulo: Cultrix, 1978.
___________  Psicoterapia de Grupo e Psicodrama. Trad. bras. São Paulo: Mestre Jou, 1974.

SCHIER, J. ; ALVAREZ, Ângela Maria; VAHL, E.; GONÇALVES, L. H. T. – 30 Anos NETI: o percurso de um modelo de educação permanente em Gerontologia. Extensio (Florianópolis), v. 10, p. 02-02, 2013.



SENE COSTA, E. Gerontodrama: a velhice em cena. (Estudos clínicos e psicodramáticos sobre o envelhecimento e a terceira idade.). São Paulo: Ágora. 1998.