quarta-feira, 30 de março de 2016

Plano das Oficinas de Criação Literária do NETI/UFSC, 2016.1. Edna Domenica Merola.

Crédito da foto Edna D. Merola


Cada retrato é uma lembrança... Uma possibilidade de reviver... De contemporizar...







Até 1826, os retratos eram desenhados ou pintados. Na contemporaneidade, o autor Buzan ensinou a fazer retrato de um plano ou projeto e deu-lhe o nome de mind mapping. Assim, retratei os objetivos das Oficinas de Criação Literária do NETI 2016.1.





Meta das Oficinas de Criação Literária do NETI/UFSC 2016.1  
Aprender a conviver com a palavra do outro ao dar expressão à sua. 

Objetivos:
‒ criar um narrador diferente da autora; 
‒ escrever cartas ficcionais (inventar emissor, destinatário e conteúdo da carta);
‒ redigir textos para teatro; 
‒ reconhecer o movimento da MPB como registro histórico e artístico: rememorar o passado para refletir sobre o presente;
‒ abrir-se para a possibilidade da produção de texto como releitura e colagem. 

Caracterização da turma 2016.1
Na aula de 7/4/2016, 23 pessoas responderam a um questionário. 
‒ Idade: 78,26 %  tinham de 50 a 65 anos. Cinco pessoas encontravam-se na faixa de 50 a 55; sete estavam entre  56 a 60. seis entre 61 a 65, três entre 66 a 70, uma entre 71 a 75 e uma entre 76 a 80. 
‒ Vínculo com a cidade por nascimento: 13,04 % nasceram em Floripa. 86,96 % vieram de fora.
‒ Anos de residência em Florianópolis: 13,04 % são residentes de 2 a 3 anos. 28,57 % são residentes de 5 a 11 anos
8,70 % residem de 28 a 30 anos. 43,48 % residem em Florianópolis de 37 a 48 anos. 
‒ Frequência às aulas nos últimos anos: 64,71% assistiu ou ministrou aulas nos últimos 5 anos.

 Data
Atividade
Objetivo
31/3/2016

31/3 – Arte dionisíaca e apolínea. Escrever e narrar. Exposição dos textos: "Apolo e Dionísio nas artes"; "Plano das Oficinas de Escrita Criativa de 2016.1". http://netiativo.blogspot.com.br/2015/05/apolo-e-dionisio-nas-artes-o-jogo-entre.html
Dinâmica: escolha de objetos (livro, castiçal/anjo, apetrechos de costura, bibelô/mordomo, chave de fenda) para escrita de frase narrativa ou descritiva. Leitura conjunta. Tarefa para casa: narrar sua participação na dinâmica da primeira aula (Criar um título para a história. Descrever onde e quando se passaram os fatos. Contar o que aconteceu. Quem participou. Como? Para quê? Escrever um epílogo.).
Apresentação dos alunos e da equipe docente. Introdução ao gênero narrativo.
Rashomon poster.jpg
07/4/2016

7/4 – Aplicação de questionário para caracterização da turma. Exposição sobre: a construção do narrador e os elementos da narrativa. Exibição parcial do filme Rashomon: narrativas do Samurai e do bandido. A expressão "efeito Rashomon" vai além do ditado popular: "Quem conta um conto, aumenta um ponto", porque cada narrador mostra o seu ângulo de visão de um pseudo conjunto de fatos.
Espaço
Narradores
Foco
Personagens
Tempo
Uma estrada que liga duas cidades japonesas.
O bandido.
O Samurai.
1ª pessoa
O bandido, o samurai, a mulher do   Samurai.
Séc. XI
Referência http://netiativo.blogspot.com.br/2014/05/revisao-diario-de-classe-narrar-e-fazer.html
Tarefa: carta narrando sua chegada a Florianópolis (quer por nascimento ou mudança).
Usar os elementos da narrativa: narrador, personagens, ação, tempo e espaço.

14/4/2016
14/4 – Exercício de identificar o foco narrativo a partir das leituras preferidas. 
Narrativa e retrato de época: referir a suas preferências de leitura e de audição de músicas para contar fatos de sua vida.  . Tarefa: após identificar o ano em que ocorreram os fatos marcantes de sua vida, trace   uma linha e a sequência das datas, de maneira que a mais antiga fique à esquerda e a mais recente à direita. Use o "mind mapping" para identificar um intervalo de dois a cinco anos em que se concentrem pelo menos dois fatos marcantes a serem narrados no seu texto. Associe-os com letras de músicas. 
Usar Mind Mapping para projetar retrato de época.

28/4/2016
8/4 – Letras de Músicas e Figuras de sons.
Discriminar figuras de sons.
05/5/2016

5/5 – MPB: Samba de uma nota só; Alegria, alegria; O Bêbado e a Equilibrista.
Links relacionados:
Reconhecer o Movimento interartes (cantores e cartunistas).
12/5/2016

12/5 – Construção do Átomo Social de protagonista ≥ 50 anos para a escrita de carta literária (emissor e destinatário ficcionais).
Construir personagens ficcionais verossímeis.
19/5/2016
19/5-Leitura dramatizada de cartas dos papéis complementares (Ex.: mãe e filha). Comentar a carta da/o colega: exercício de comentar textos sob critérios pré estabelecidos (treino de elementos da dissertação). 
Treino de leitura. Comentar (dissertar).
02/6/2016

02/6 - Criação de personagens para teatro de objetos. Dinâmica: escolha de objetos: cinto velho, celular antigo, miniaturas: calhambeque e sino ‒ para escrita de texto para teatro. Leitura Dramatizada ‒ individual. 
Escrever uma cena para teatro.

09/6 - Dinâmica 1: formar duplas a partir de semelhanças físicas conforme senhas dadas pela professora: altura, tamanho das mãos, adereços usados (óculos, brincos, ...). Nomear todos os colegas. Formar duplas, fazer o contorno de uma das mãos de cada pessoa da dupla e escrever o ditado popular preferido. Dinâmica 2: leitura dramatizada de peça com coro grego (MEROLA, 2015) http://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2015/08/peca-teatral-vozes-edna-domenica-merola.html
Tarefa: Reler o conto O Gato e o Escuro. Escrever um texto para Teatro de Objetos com 4 personagens, sendo que dois são: Pintalgato e o Coro. O Pintalgato é citação do conto O Gato e o Escuro de Mia Couto. O Coro é um personagem coletivo e suas falas são os ditados populares escolhidos em dupla, na dinâmica feita em sala de aula. O demais personagens são dois, a escolher entre: Calhambeque, Cinto, Celular, Sino.
Escrever uma cena para teatro.

16/6 - Dinâmica 1: aquecimento para formação de duplas. Resposta a questionário de revisão dos conteúdos estudados. Tarefa para casa: leitura do texto Olha o Pão de Maria! (MEROLA, 2011).
Revisão. 
23/6/2016
23/6 - Dinâmica para formação de grupos. Releitura de história autoral http://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2014/04/jogral-do-texto-olha-o-pao-de-maria.html O ‘enredo’ do texto será a base para construir: grupo 1 ‒   Cartas entre personagens Maria (de Olha o Pão de Maria) e Capitu (de Dom Casmurro); grupo 2 ‒ Texto para teatro com as personagens Maria (MEROLA,2011) e Lady Shalott (Tenysson).
Releitura de um texto narrativo.
Lady Shalott.
30/6 - Movimento expressivo grupal das músicas: tema de Capitu e The Lady of Shalott. Leitura dos trabalhos grupais feitos em 23/6. Interpretação da letra da música Eduardo e Mônica. Tarefa para casa: escrever sobre a velhice de Eduardo e Mônica.
Movimento Expressivo grupal.


ADENDO: TRABALHOS DOS PARTICIPANTES DO BLOG NETIATIVO
E INTEGRANTES DA TURMA 2016.1

Participantes: professora Edna e os alunos: Adalva, Arlete, Carmem, Cleide, Dulci, Edna Luiza, Janis, Juçara, Marta, Mara, Marlene, Sara, Terezinha, Toinha, Vânio, Vera.

REFERÊNCIAS

BUZAN, Tony. Mapas Mentais e sua Elaboração. São Paulo: Cultrix, 2005.

LODGE, David. A Arte da Ficção. Trad. Bras. Porto Alegre: L& PM Pocket, 2011.

MEROLA, Edna Domenica. Pedagogia do Psicodrama: a ação do grupo no desenvolvimento de papéis da pessoa idosa. Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa. Orientadora: Maria Celina da Silva Crema. UFSC, CCS, N.E.T.I., 2015, 46 f.
_________ Cartas em Posfácio. In Diálogos da Maturidade. Postmix, 2016.
_________ A Volta do Contador de Histórias. Nova Letra, 2011.
_________ No Ano do Dragão. Postmix, 2012.
_________ São Genaro e a Professora “X” Maria. In: A Escritora Osmarina e a Professora “X” Maria. Postmix, 2013.
_________ De que são feitas as Histórias. Postmix, 2014.

MORENO, J.L. Psicodrama. 2 ed, São Paulo: Cultrix, 1978.
___________ Psicoterapia de Grupo e Psicodrama. Trad. bras. São Paulo: Mestre Jou, 1974.

SCHIER, J. ; ALVAREZ, Ângela Maria; VAHL, E.; GONÇALVES, L. H. T. – 30 Anos NETI: o percurso de um modelo de educação permanente em Gerontologia. Extensio (Florianópolis), v. 10, p. 02-02, 2013.

SENE COSTA, E. Gerontodrama: a velhice em cena. (Estudos clínicos e psicodramáticos sobre o envelhecimento e a terceira idade.). São Paulo: Ágora. 1998.

ADENDO

A Primeira Unidade ( 31/3; 7/4; 14/4/2016)
Os Objetivos: 
1- Reconhecer na narração: o narrador, os fatos, o tempo, o lugar, os personagens. 
2- Identificar o foco narrativo nos trechos selecionados pela professora sobre o livro preferido de cada aluna. Exemplo de foco narrativo em terceira pessoa: "Só quando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos. Olhou o corpo e viu que já nem a si se via. Que aconteceu? Virara cego? Por que razão o mundo se embrulhava num pano preto? Chorou. Chorou. E chorou." (COUTO, 2008).
3- Escrever uma carta para os calouros do Projeto Longe de Casa (E Agora?). 
4- Escrever uma narração sobre um fato marcante e relacionar com a música preferida, o gênero musical, o cantor ou cantora.
Exemplo de trecho narrativo em discurso direto: 
"‒ Não chore, gatinho.
‒ Quem é?
‒ Sou eu, o escuro. Eu é que devia chorar, porque olho tudo e não vejo nada." (COUTO, 2008)

As referências para a primeira unidade didática:
‒ Para que a Literatura?
‒ Elementos da Narração.
‒ Descrição e Retrato de época.

A Segunda Unidade
Em 28/4 e 5/5/2016, estudamos itens relativos à poesia contemporânea brasileira pelo viés de letras de músicas nacionais.
Antes da aula de 28/4/2016, a professora pesquisou quantos alunos conheciam as letras das músicas que seriam usadas para dar a aula de figuras de som. 20 alunos conheciam Vira Virou ( Kleiton e Kledir. https://www.letras.mus.br/kleiton-e-kledir/219077/)
19 alunas conheciam Plunct Plact Zum (Raul Seixas. https://www.youtube.com/watch?v=septscqFF48). 19 conheciam Tocando em Frente (Almir Sater. Compositor: Renato Teixeira. http://www.vagalume.com.br/almir-sater/tocando-em-frente.html)
Adalva, Cleide, Dulcirene e Maria Juçara já conheciam a música Praias da Ilha (Antônio Santos Miranda).
As músicas Praias da Ilha; Vira, virou; Plunct Plact Zum e Ando Devagar serviram para o ensino de figuras de som ‒ aliteração, assonância, onomatopeia e paronomásia ‒ e utilizou-se como estratégia o canto. Edna Domenica Merola coordenou o planejamento da aula e foi mediadora dos trabalhos que contaram com professores visitantes.
Na aula de 05/5/2016, estudou-se a produção de músicas brasileiras do período de 1959 a 1979, ilustrou-se com as músicas: Samba de uma Nota Só; Alegria, Alegria; O Bêbado e a Equilibrista. As letras dessas músicas exemplificaram o uso dos versos livres e da redondilha maior (sete sílabas poéticas).
Foi disponibilizado um link com um texto preparado pela professora sobre a contagem das sílabas poéticas
No poema cantado (Alegria, Alegria) todos os versos têm 7 sílabas poéticas, pois conta-se até a última sílaba tônica (sílaba tônica de uma palavra é a que é pronunciada mais fortemente).
Em/ ca/ras/ de/ pre/si/den/tes
Em/ gran/des/ bei/jos/ de a/mor/ (Repare  que /de a/ é uma só sílaba poética, pois pronuncia-se de uma só vez)
Em/ den/tes,/ per/nas,/ ban/dei/ras
Bom/ba e/ Bri/gi/tte/ Bar/dot/   (Repare que  /ba e/  forma somente uma sílaba poética)
Foi dado um exercício de colagem no qual os versos de 3 poemas foram misturados. Isso possibilitou constatar que a poesia é um discurso polissêmico (uma só palavra acumula vários sentidos). Para entender um poema as palavras deverão ser decifradas pela leitora. Ex.: O sol nas bancas de revistas me enche de alegria e preguiça. (Sol é o nome de um revista que circulava à época; é também a energia solar).
Vide o link sobre as  figuras: metáfora, metonímia e catacrese.

O CORO FALADO
O coro falado é usado na escrita de textos para Teatro. Nesse contexto, o coro é um personagem coletivo e plural que faz indagações para provocar reflexão.
O coro expressa a opinião pública, critica valores, reage às atitudes dos personagens como o escritor julga que a audiência iria reagir; impulsiona a emoção, confere movimento, promove quebras que podem marcar uma mudança de rumo na ação.
O coro é o elo com os rituais religiosos que originaram o Teatro e que mantém a sua alma coletiva. O coro é um recurso da Tragédia Grega que funciona bem no teatro contemporâneo quando associado à estratégia do 'ditado popular'.
Exemplo de uso do coro: 
Vide texto para peça teatral com uso do coro grego

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO ACADÊMICO DA TURMA 2016.1
Após a oitava aula do semestre, a professora Edna Domenica Merola procedeu à primeira avaliação de desempenho dos alunos da turma 2016.1.
Se você, leitor, estiver no NETI no dia da semana em que se realizam as Oficinas Literárias e presenciar a espera pelo momento em que a sala de aula será aberta... Se assistir à alegria da chegada dos alunos... Se ouvir de dentro da sala aqueles passos mais apressados dos que entram por último... Dirá (com razão!) que todos são excelentes alunos.
No entanto, uma avaliação por parâmetros didáticos pode desencadear reflexão e definir metas de estudo. Então, senhora ou senhor (leitor), permitam que a professora avalie seus alunos.
Optou-se por definir como pré requisito para inclusão na amostra a ser avaliada: ter enviado textos para serem postados no blog Netiativo no semestre 2016.1.
A análise foi feita a partir do estabelecimento de critérios: número de textos produzidos, assiduidade e participação nas atividades orais.
Em média, o grupo pesquisado realizou 57,5 % das tarefas solicitadas. Apenas uma aluna realizou 100% dos trabalhos propostos pela professora.
Quanto à assiduidade, sete apresentaram frequência regular, cinco tiveram boa frequência. Duas alunas não tiveram nenhuma falta.
A participação nas atividades de sala de aula foi considerada excelente para nove pessoas e boa para seis.
Se fosse necessário dar uma menção final perante esses critérios, uma aluna seria considerada excelente e outra insuficiente. Seis seriam avaliados como bons alunos e sete como regulares. Mas o semestre continua e pode-se mudar o jogo, em tempo, se esse for o desejo do (a) discente.

Aula de 16/6/2016  ‒ Movimento: a dupla. Revisão de conteúdos.
‒ Movimento espontâneo: papéis de modelo e de espelho (imaginação, imitação).
‒ Revisão dos conteúdos estudados por meio de leitura e escrita (em dupla). 
Objetivo: rememorar principais ideias estudadas. Conteúdos dos textos I,II, III, IV, VI, X, XI, XII, XIII, da apostila Oficinas de Criação Literária 2016.1: - Apolo e Dionísio nas artes, p 3. - Gêneros literários, p 5. - O texto Narrativo, p 6. - Descrição de Aspectos temporais da Narrativa: a técnica do “mind mapping” para produção de texto com memórias, p 7. - Figuras de Som, p 11. - Ensino do Gênero Epistolar por meio do desenho do átomo social pretérito, p 17. - Roteiro para comentar a carta do colega, p 20. - O coro falado, p 20. - Escrita de cenas para teatro, p 21. (MEROLA, 2013, 2014, 2015 e 2016). Assim como do rol de textos de ‘fora’ da apostila:
I. Cartas (Turma 2016.1).
http://netiativo.blogspot.com.br/2016/05/cartas-espacos-de-dialogo-e.html
II- O Medo e o Escuro (COUTO, 2008). 
III- Peça Vozes. (MEROLA, 2015).
http://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2015/08/peca-teatral-vozes-edna-domenica-merola.html

terça-feira, 29 de março de 2016

Estudo de Recursos Poéticos usados em Letras de Músicas.Edna Domenica Merola.


Mind Mapping por Edna Domenica Merola:
A palavra assonância vem do latim assonans, particípio do verbo assonare, que significa “responder a”, no sentido de “fazer eco”, “ressoar”.  Na letra de Qualquer Coisa , de Caetano Veloso), temos uma assonância pura na recorrência do som “ãe” (ganhe, apanhe, mamãe):

Berro pelo aterro, pelo desterro
Berro por seu berro, pelo seu erro
Quero que você ganhe, que você me apanhe
Sou o seu bezerro gritando mamãe.

Nesse trecho, há também a repetição do som “erro” com a vogal “e” aberta (berro) e fechada (aterro, desterro, erro), caracterizando um exemplo de assonância e aliteração funcionando juntas. 



ADENDO: Trechos de Músicas selecionadas 

Praias da Ilha
Mirandinha (Antônio Santos Miranda)

Ilha, minha amada ilha,
Terra maravilha, és sensacional!
E além dessa magia,
Tem folia é dia de rei Momo é Carnaval





Vira Virou. Kleiton e Kledir.

Vou voltar na primavera
Era tudo o que eu queria
Levo terra nova daqui

Quero ver o passaredo
Pelos portos de Lisboa
Voa, voa, que eu chego já

[...] Hoje é porto de partida

Ah vira, virou
Meu coração navegador!
Ah gira, girou

Essa galera...



Plunct Plact Zum. Raul Seixas.

5-4-3-2! / -Pare! /Espere ai! Onde é que/ Vocês pensam que vão?/Hã? Hammm!

Plunct Plact Zum!
Não vai a lugar nenhum
Plunct Plact Zum!
Não vai a lugar nenhum...


  

Tocando em Frente.
Almir Sater. Compositor: Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa [...]
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
[...] É preciso a chuva para florir.


Um caminho pedagógico para aprender recursos para a escrita poética é partir da pesquisa do gosto do aprendiz. Dentre as músicas cantadas que apreciamos qual delas tem a letra que hoje faz mais sentido para nós? A letra da música escolhida pode ser antiga, mas o interesse que ela desperta em nós é atual. Para identificá-la é necessário PESQUISAR. Por exemplo navegando pela VAGALUME  www.vagalume.com.br
O motivo da indagação é que planejamos estudar poesia 'cantada' a partir dos recursos poéticos usados em letras de músicas. 

UM INTERESSE PESSOAL pode traçar um caminho pedagógico...
Em MEROLA (2011, A Volta do Contador de Histórias), o texto Olha O pão de Maria traz citações extraídas de letras das músicas. Adaptei a história (Olha o pão de Maria) para um Jogral, certa vez, representando o NETI, numa apresentação, registrada no link:
http://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2014/04/jogral-do-texto-olha-o-pao-de-maria.html

Na minha trajetória de blogueira, escrevi sobre alguns temas que perpassam a questão da pesquisa da poesia cantada em benefício da escrita poética criativa:
Carta de Amor em colagem poética cita Vinícius de Moraes e Caetano Veloso

O gosto musical do outro é uma pesquisa (via Internet) sobre respostas a um questionário que uma pessoa que se inscreveu num curso enviou para a professora


Ouvir músicas com letras 'intimistas' é indicado para idosos? 


Em algumas postagens reproduzi letras que não devem ser esquecidas, a exemplo de: 

1-O Bêbado e a Equilibrista

2-Como nossos pais

3-Assum Preto

4-Saudosa Maloca

5-Praias da Ilha

6-Velha Rendeira


A turma da Oficina de Escrita 2016.1 escolheu, musicalmente, em respostas a um primeiro questionário, o que segue:
Quatro Estações de Vivaldi.

Zininho (Cláudio Alvim Barbosa). Rancho de amor à Ilha.

Toquinho: Aquarela.

Frank Sinatra. New York, New York.

Frank Sinatra. My Way.

John Lennon. Imagine.

Martinho da Vila. O Pequeno Burguês.

Pixinguinha. Carinhoso.

Vandré. Caminhando e cantando.

Chico Buarque. Construção.

João Bosco e Aldir Blanc. O Bêbado e a Equilibrista.


Marisa Monte, Ainda Bem!


Passaram ainda por Almir Sater com Tocando em frente.

Dois pra lá dois prá cá;




O Discurso Literário. Edna Domenica Merola.

Crédito da foto: Edna Domenica Merola


Você já se perguntou quais foram as maiores criações da humanidade?

“As grandes atividades arquetípicas da sociedade humana são, desde início, inteiramente marcadas pelo jogo. Como por exemplo, no caso da linguagem, esse primeiro e supremo instrumento que o homem forjou a fim de poder comunicar, ensinar e comandar. É a linguagem que lhe permite distinguir as coisas, defini-las e constatá-las, em resumo, designá-las e com essa designação elevá-las ao domínio do espírito.
Na criação da fala e da linguagem, brincando com essa maravilhosa faculdade de designar, é como se o espírito estivesse constantemente saltando entre a matéria e as coisas pensadas.
Por detrás de toda expressão abstrata se oculta uma metáfora, e toda metáfora é jogo de palavras. Assim, ao dar expressão à vida, o homem cria um outro mundo, um mundo poético, ao lado do mundo da natureza. As grandes atividades arquetípicas da sociedade humana são, desde início, inteiramente marcadas pelo jogo. (HUIZINGA, 2000, p 7).
Refletir sobre as funções da linguagem –“comunicar, ensinar e comandar”– implica em pensar que a escrita é representação da realidade pelo viés da ‘voz’ do autor, quer seja ele um historiador contemporâneo ou um cronista do rei (diretamente subordinado aos monarcas europeus). A representação da realidade é cristalizada pela escrita.
A escrita literária não faz contrato integral com narrações da realidade compactuada. Inventar (mentir) enriquece a narrativa ficcional. Essa “privilegia apenas um ou dois pontos de vista a partir dos quais a história pode ser contada e concentra-se no modo como os acontecimentos afetam esses pontos de vista.” (LODGE, 2011, p 36).
O discurso ficcional serve para mostrar e para tal cria as falas dos personagens. Serve ainda para dizer por meio do resumo autoral, no qual “a concisão e a abstração da linguagem do narrador apagam o caráter particular e individual dos personagens e de suas ações.” (LODGE, 2011.).
O discurso literário distingue-se dos demais, e isso não ocorre pelo simples fato de usar a norma culta. Há escritores que utilizam a linguagem coloquial, enriquecendo sua criação com isso. Para efeitos de ensino em oficinas de criação costumo dizer aos iniciantes que coloquem seus conhecimentos da norma culta na voz do narrador  ou personagem da elite cultural  em contexto social; e a linguagem informal no contexto íntimo ou na fala dos personagens populares. Mas provavelmente se libertarão dessa receitinha, ao sentirem-se seguros para criar discursos específicos que nascem juntos com o narrador, os personagens, o contexto.
Sem aprofundar a discussão sobre o impacto do uso da norma culta na qualidade estética de um texto, apresento algumas considerações sobre clareza e concisão textual.“A verdadeira questão não é – nunca foi – o número de palavras, mas a eficiência com que elas dão conta do trabalho que foram convocadas a desempenhar. Se a concisão tem valor parcial, adequada a certos estilos mas não a outros, arrisco dizer que a clareza é um valor universal: até uma história intencionalmente obscura precisa ser expressa com palavras nítidas. [...] cabe ao escritor deixar em foco os conflitos principais da sua história. Às vezes se aprimora o foco por subtração, outras vezes por adição. Uma cena a mais, um parágrafo descritivo a mais, um diálogo a mais podem ser exatamente o que faltava para tornar vigoroso um texto até então capenga e flácido.” (RODRIGUES, 2013).


ADENDO: Um texto que brinca com os nomes de algumas figuras de palavras. 
Antes de apresentar um texto jocoso sobre a recepção das palavras metonímia, catacrese e metáfora, explico a etimologia delas, já que sem esse conhecimento prévio, o leitor não conseguiria achar nenhuma graça no texto!

A palavra catacrese vem do latim catachresis, que tem origem no grego katakhresis, que significa “mau uso”. Aplicado à figura de linguagem, o termo tem o significado de mau uso das palavras.
A palavra metonímia deriva do grego metonymía. Pela etimologia da palavra temos que met quer dizer “mudança” Onímia (ou o termo onoma)  significa “nome”. Metonímia é “mudança de nome”. A troca das palavras é feita respeitando-se uma relação objetiva que há entre elas, uma clara associação de ideias que é facilmente percebida.
Pela etimologia da palavra metáfora temos que meta = além. A metáfora ocorre quando se utiliza uma palavra fora do seu sentido básico, por efeito de semelhança. No sentido metafórico, o termo real A e o termo ideal B se juntam pela lembrança que um evoca do outro. Metáfora, ao pé da letra, significa transposição por similaridade.


NonSense no Ano do Dragão. MEROLA (2012)

Em 2012, em Florianópolis, enfrentei corajosamente o período denominado pelo horóscopo chinês de Ano do Dragão. Foi nesse espírito que em onze de fevereiro desse ano resolvi trocar alguns hábitos, a exemplo: de colocar a razão acima do coração.
Ver detalhadamente o que há de emocional nos acontecimentos da vida para saboreá-la mais intensamente é uma experiência para poucos: uma conquista árdua. Arrancar o hábito de racionalizar acontecimentos e sentimentos (como a escola nos inculcou desde tenra idade) exige o exercício e o controle das emoções.
[...] Após tanta reflexão, começo a me sentir tomada pela necessidade de correr o risco de fazer algumas revisões vitais. Sou apaixonada por literatura, mas recentemente andei implicando com os nomes que a teoria literária utiliza para se referir a alguns tropos ou palavras utilizadas em sentido figurado.
As palavras metáfora, metonímia, catacrese não parecem referir-se a boas coisas no sentido cristão do termo! E, no entanto, são lindas, quando bem usadas por corações e mentes em estado de criação.
Deparo-me com a necessidade de criar um ritual. Penso que um batismo pode expurgar dessas figuras o pecado originalmente cometido de colocar-lhes nomes exclusivamente para o entendimento e memorização dos versados em etimologia de palavras. O que as torna definitivamente impopulares.
Então começo o ritual de rebatismos... Depois de mais de quarenta anos de vida íntima com essas figuras penso que tenho esse direito.
Sei que a metáfora é a palavra ou expressão que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas. O exemplo de uso dado frequentemente é o verso de Camões: "Amor é fogo que arde sem se ver”.
Já o som da palavra metáfora... parece se referir ao estabelecimento de uma meta ou de um alvo a ser alcançado, mas que está fora. Não sei o que ou quem está fora. Mas me basta saber que não está dentro e que, portanto, é desatualizado ou inapropriado. Então basta! Eu a chamarei de “pode entrar é por aqui!”
A metonímia é “um Deus que me perdoe” pelas suas quatro letras iniciais que podem ser tomadas como referente à ação libidinosa, pecaminosa, desastrosa num poema... E depois tem o célebre uso dessa figura por José de Alencar, quando descreveu Iracema como a “virgem dos lábios de mel”... alimento proibido para diabéticos e obesos! Dizer que a índia era virgem, negando- lhe o direito de ser uma mulher normal! E ainda fazer propaganda de cosméticos para lábios à custa de abelhinhas escravas! É uma palavra que arremesso, jogo, descarto, meto fora... essa metonímia. Portanto, a metonímia chamá-la-ei “de lábios de hambúrguer”. Os alunos da sétima série do Ensino Fundamental elegeram essa expressão em consulta nacional recente. Está feito!
A escolha do novo nome da catacrese é um tanto extensa e pode parecer “sem pé nem cabeça”, mas todos nós sabemos que a expressão “pés da mesa” é um exemplo de catacrese. A mesa é um objeto presente na vida afora, mas ainda inatingível para os bebês que engatinham. Ainda excluídos do Movimento dos Pés Livres, os bebês são impedidos de escalar a almejada mesa, por motivos adultos e não pessoais. Por isso, em tempos de inclusão, a catacrese fica aqui chamada de “escalar o colo da avó”.
Curiosamente, a soma do número de letras das três palavras metáfora, metonímia, catacrese é igual a vinte e seis o que equivale a oito, que significa o que permanece em equilíbrio. O que pode vir a significar que tentar se libertar da mesmice pode gerar equilíbrio.
 [...] Escolho ver minhas elucubrações como amigas de folguedos... E então resolvo ficar com a visão nonsense que me serviu para sobrepujar racionalismos inócuos. Fico com minha opinião de que: importa mais rir de alegria sem razão, do que construir castelo de racionalização.


Exemplo do uso de Linguagem Metafórica, na música popular brasileira. Pedaço de Mim. Chico Buarque de Holanda.

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
  

Ovelha Negra. Rita Lee.

Foi quando meu pai
Me disse:
"Filha, você é a Ovelha Negra
Da família"
Agora é hora de você assumir
Uh! Uh! E sumir!...

REFERÊNCIAS:

ESPESCHIT, Gustavo. Rascunhos e Narrativas (espeschit@gutoesp).
Disponível em

HOLANDA, Francisco Buarque. Pedaço de Mim. Disponível em:
Consultado em 17/02/2016.

HUIZINGA, Johan. Natureza e Significado do Jogo como Fenômeno Cultural in Homo Ludens, São Paulo: Perspectiva, 2000, p 7.

LEE, Rita. Ovelha Negra.

LODGE, David. A Arte da Ficção. Trad. Bras. Porto Alegre: L& PM Pocket, 2011.

MEROLA, Edna D. No Ano do Dragão. Florianópolis: Postmix, 2012. P 21-24.
_______________ De que são feitas as Histórias. Florianópolis: Postmix, 2014. P 66.

RODRIGUES, Sérgio. Escrever, cortar, escrever: a concisão e a clareza. 20/07/2013. Toda Prosa. Disponível em http://todoprosa.com.br/ escrever-cortar-escrever-a-concisao-e-a-clareza/


Metáfora, Metonímia e Catacrese - Língua Afiada - Episódio 10. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Tyq8GEbwkKM